Descrição de chapéu Eleições 2018

Dividida, Santos teve vitória de França sobre Doria por apenas 17 votos

Com 343,7 mil eleitores, cidade no litoral paulista viveu segundo turno apertado

William Cardoso Luciano Cavenagui
Santos e São Paulo

Com 343,7 mil eleitores, Santos viu o governador Márcio França (PSB) vencer João Doria (PSDB) por apenas 17 votos de diferença no segundo turno.

Aprovação à imagem de gestor moderno transmitida pelo tucano ou a falta de opção ao ex-prefeito da capital foram os principais pontos que dividiram o eleitorado santista no domingo (28).

A campanha em Santos dividiu até mesmo casais. É o caso os namorados Matheus Rodrigues Leite Barbosa e Karimi Machhour Ali, ambos de 18 anos, que seguiram por caminhos diferentes no voto para governador.

O casal Matheus Rodrigues Leite Barbosa e Karimi Macchour Ali, ambos de 18 anos, em Santos
O casal Matheus Rodrigues Leite Barbosa e Karimi Macchour Ali, ambos de 18 anos, em Santos - Rivaldo Gomes/Folhapress

“Escolhi o Doria por me identificar mais com ele”, diz o rapaz. “O França não foi minha opção no primeiro turno, porque votamos no Skaf. Mas agora votei nele”, afirma ela.

O metroviário aposentado Gilberto Sansão Borges, 65 anos, votou confiante de que França ganharia a eleição. “Eu não votaria nesse Doria de jeito nenhum. Na Prefeitura em São Paulo, ele só queria aparecer. Mas ele ganhou, né, fazer o quê?”

A professora Elizabete Vieira Guerra, 63, foi de Doria. “Nenhum dos dois era minha primeira opção, mas conheço França, sei de todo o histórico dele em São Vicente. Acredito que o Doria vai tentar fazer alguma coisa”, diz.

Nem todo apoio a Doria foi baseado somente nas propostas do candidato tucano. O gestor comercial Joaquim Fernandes, 78, votou no tucano como forma de rejeitar os partidos de esquerda. “O Brasil está sendo governado pelos vermelhos, que fizeram bem só para eles. A corrupção é constante e o Márcio França sempre foi vermelho, há muito tempo.”

O fato de ter sido ex-prefeito de São Vicente, cidade vizinha de Santos, não significou apoio imediato a França por parte dos eleitores santistas.

“Já morei em São Vicente e não gostei do que ele fez por lá. Ele segue uma linha política que não é a minha. O Doria tem uma política mais de direita, mais liberal, por isso optei por ele”, afirma o auxiliar de caixa Erick Venicius Cabral Pinheiro, 19. 

O estivador Mariano de Assis, 55, votou por exclusão. “Ontem, foi uma eleição difícil. O Doria é o último prego no caixão do PSDB. Votei não pelo França, mas contra o Doria. Para a cultura, nem o Bolsonaro soa tão desastroso quanto o Doria”, afirma.

Resultado reflete situação no estado

A divisão entre os eleitores de Santos no segundo turno é um reflexo da polarização ocorrida no estado.

Essa é a avaliação de Eduardo Grin, cientista político da FGV-EAESP (Fundação Getúlio Vargas-Escola de Administração de Empresas de São Paulo).

“Como governador em exercício, Márcio França acabou se valendo da máquina pública durante a campanha, tendo apoio de vários prefeitos, inclusive alguns do PSDB. João Doria conseguiu equilibrar as forças com uma campanha eficiente, colando aspectos negativos no concorrente”, diz.

Em Santos, o prefeito Paulo Alexandre Barbosa (PSDB) deu apoio a França e criticou duramente Doria durante a campanha. Barbosa chegou a dizer, em entrevista, que o tucano não representava os ideais do partido e era movido por oportunismo eleitoral.

“Doria teve sucesso ao se colocar, principalmente para o eleitorado de fora da Grande São Paulo, como um gestor, um novo na política. Ao mesmo tempo, a propaganda moldou em França a imagem de um homem da velha política, que também esteve ligado ao PT. Isso favoreceu muito Doria entre o eleitorado anti-petista”, avalia.

Para Grin, a campanha de França, por sua vez, também conseguiu emplacar em parte dos eleitores que Doria não cumpriu a palavra ao abandonar a Prefeitura de São Paulo para concorrer a governador, por isso a diferença apertada entre eles.

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