Descrição de chapéu Eleições 2018

Doria pegará carona em Bolsonaro e França atacará falsidade

Tucano deve aprofundar a estratégia com um discurso duro na área da segurança

São Paulo

Agora livre do peso de Geraldo Alckmin (PSDB), o tucano João Doria deve aprofundar a estratégia de pegar carona no eleitorado de Jair Bolsonaro (PSL) com um discurso duro na área da segurança.

Na reta final da campanha, Doria passou a imitar as falas do militar.

Ele chegou a prometer que, quando fosse eleito, a polícia passaria a atirar para matar em confrontos --o que contraria o procedimento de uso progressivo da força adotado oficialmente pelas forças de seguranças paulistas.

A equipe tucana identificou que o discurso fortaleceu Doria, que oscilou positivamente nas pesquisas após as afirmações polêmicas. A partir daí, ele passou a repetir a frase na maioria das entrevistas.

Mesmo durante a campanha, apesar do apoio oficial a Alckmin, a equipe de Doria chegou a fazer tentativa de aproximação com a equipe de Bolsonaro. Agora, as tratativas devem ocorrer publicamente.

Doria passou a campanha escondendo o padrinho político, fazendo o ex-governador passar por constrangimentos sucessivos.

Na sexta (5), Doria faltou ao último ato de campanha com Alckmin, alegando mau tempo para voar do interior à capital paulista.

A arrancada de Márcio França no final da disputa acabou surpreendendo a equipe de Doria. O tucano já preparava as armas para atacar Paulo Skaf (MDB) no segundo turno ligando-o à Lava Jato e ao presidente Michel Temer.

França era o adversário mais temido pela equipe tucana, por causa da capilaridade de sua coligação, com muitos prefeitos e deputados pelo estado.

Agora, Doria vai continuar a atacar França, tachando-o como esquerdista --costuma chamá-lo de "Márcio Cuba".

Um desafio do tucano é diminuir a alta rejeição, de 38%, segundo o Datafolha. Esse é um flanco que deverá ser explorado por França.

O governador também vai bater na tecla de que mantém sua palavra, ao contrário de Doria, que não cumpriu a promessa de ficar na prefeitura até o fim do mandato.

França costuma atacar Doria acusando o tucano de ser marqueteiro e ter uma imagem que transmite falsidade.

O governador --que declarou voto em Alckmin ao longo da disputa, mas não fez campanha para o antecessor-- deve tentar se manter neutro nacionalmente, a despeito de uma eventual decisão do PSB de ficar contra Bolsonaro.

De manhã, quando votou em uma escola em São Paulo, França já tinha dado a dica de que partirá para cima de Doria no segundo turno.

Na saída de sua seção, falou a sobre o adversário, que, segundo ele, fez a campanha contrariado.

"Doria era candidato à Presidência. Ele se iludiu com a vitória na prefeitura. Como ele não conseguiu a disputa [à Presidência], ele foi buscar o prêmio de consolação no governo de São Paulo."

Artur Rodrigues, Gabriela Sá Pessoa e Wálter Nunes

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