Descrição de chapéu Eleições 2018

Eleição para governo de SP deve ir ao 2º turno pela primeira vez em 16 anos

Campanha é a primeira em que PSDB, no governo há 24 anos, não é franco favorito desde 1998

Gabriela Sá Pessoa Joana Cunha
São Paulo

No governo de São Paulo há 24 anos, o PSDB enfrenta, neste domingo (7), sua disputa mais acirrada em um par de décadas. É a primeira vez desde 1998, quando Mario Covas se reelegeu, que o partido não é o franco favorito para ganhar a eleição.

Os paulistas não veem um segundo turno para governador desde 2002. Em 2006, José Serra (PSDB) derrotou Aloizio Mercadante (PT) com 57,94% dos votos. Dali por diante, Geraldo Alckmin, agora presidenciável do PSDB, encerrou a peleja de uma vez só.

O candidato tucano João Doria chega às urnas liderando pesquisas, mas longe do patamar dos antecessores: 33% dos votos válidos, segundo Datafolha deste sábado (6). Paulo Skaf (MDB) registrou 26% e Márcio França (PSB), 20%.

Em simulação de segundo turno, Skaf estaria numericamente à frente, mas em empate técnico com os dois adversários, e Doria empataria com França em 41%.

Mas segundo turno é quase como uma eleição nova —e já começou para os dois líderes nas pesquisas para o Palácio dos Bandeirantes.

Com a perspectiva de seus respectivos candidatos caírem nas urnas, João Doria e Paulo Skaf pularam do barco de Alckmin e de Henrique Meirelles (MDB) e tentam surfar a onda bolsonarista. O capitão reformado tem 42% das intenções de voto em São Paulo e o presidenciável tucano, 14%.

Não que ao longo da campanha eles tenham sido figuras de proa nas campanhas de seus aliados. Doria e Skaf esconderam o quanto puderam os candidatos nas propagandas e nos debates.

A omissão criou uma situação mais difícil para Alckmin, que ficou sem quem o defendesse no estado que administrou por quatro mandatos. 

França, o vice que assumiu o governo em abril, mostrou obras da gestão apresentando-se como novo governador, sem citar o aliado tucano.

Antes da campanha, Doria e França disputavam o título de maior alckmista na sucessão ao Bandeirantes. Na antevéspera do pleito, o tucano faltou a compromissos com o ex-governador e o pessebista tentava se equilibrar na neutralidade do PSB, sem falar em Bolsonaro ou no PT de Fernando Haddad, protagonistas da eleição nacional.

Aliados até abril, Doria e França concentraram o tiroteio entre si. Naquele mês, o tucano começou a polarizar com o atual governador ao apelidá-lo de Márcio Cuba, para associá-lo à esquerda. 

Doria vestiu o figurino do antipetismo, enquanto França tentou colar no adversário a pecha de ter descumprido a promessa de não renunciar à prefeitura. O tucano é rejeitado por 38% dos paulistas e 53% dos paulistanos, segundo o Datafolha.

O confronto entre Doria e Skaf só aconteceu quando o emedebista apareceu à frente em pesquisa Ibope de setembro. Doria atirou a primeira pedra, lembrando que o oponente esconde o Michel Temer (MDB). Skaf revidou, repetindo também que Doria descumpriu sua promessa de terminar o mandato.

"É um quadro nacional difícil. E certamente o fato de ter dois palanques, no formato que está, não ajudou [Alckmin]", admitiu Márcio França no fim de setembro, em encontro com policiais militares.

O palanque duplo de Alckmin, em vez de dobrar suas chances, rachou o centrão local. Coligados nacionalmente com o PSDB, PTB, PR, SD e PPS ficaram com França. Doria levou DEM, PR e PSD. 

Skaf não fechou apoio com nenhum partido além do MDB sem força na política paulista, com apenas dois deputados federais e quatro estaduais. Mas tem se aconselhado com tucanos históricos, como Alberto Goldman e Andrea Matarazzo (hoje no PSD).

Alckmin já afirmou que pediu a Doria para não se candidatar ao governo, mas foi voto vencido. Irredutíveis, Márcio França e João Doria passaram a cortejar Skaf, oferecendo-lhe a vice ou uma das vagas para o Senado.

Tentaram até o final. Em junho, quando anunciou a aliança com o DEM do vice Rodrigo Garcia, Doria ainda contava com a desistência de Skaf.

No final do evento, a Folha perguntou ao candidato se ainda faltava algum partido na chapa, então com PTC, PSD, PRB, DEM e à qual dias depois se uniria o PP, após romper com França. Doria respondeu, sorrindo: MDB.

Uma pesquisa Datafolha de abril, porém, já tinha esfriado qualquer chance de Skaf desistir da disputa. Em sua terceira tentativa de chegar ao Bandeirantes, o empresário apareceu com 20% de intenções de voto. Doria registrou 29% e França, 8%. 

O recall de Skaf era grande demais para desperdiçar uma candidatura própria —a princípio, a contragosto do MDB. Auxiliares do presidente licenciado da Fiesp então correram para reunir o partido e organizar o lançamento da candidatura dele ao governo em Jaguariúna, em maio.

"Quem esta aí [no governo], com todo o respeito ao PSDB, já deu o que tinha que dar", discursou Skaf, ladeado pelo presidente Michel Temer, Henrique Meirelles e pela senadora Marta Suplicy. 

Desde abril, considerando votos brancos e nulos na pesquisa estimulada, Doria e Skaf continuaram na casa dos 20%, alternando-se na liderança. Desde agosto, Márcio França, foi de 4% no Datafolha para 20% no sábado (6), crescendo entre os indecisos.

Sem o protagonismo da eleição presidencial —desta vez potencializado pelo atentado contra Bolsonaro—, a disputa estadual pode ter reviravoltas nos últimos dias, quando os eleitores começam a prestar atenção nos candidatos locais.

As campanhas do PSDB e do PSB ainda apostam que uma estrutura mais robusta possa favorecer Doria e França, com mais prefeitos e candidatos a deputado distribuindo santinhos e trabalhando por eles do que os aliados de Skaf.

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