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Eleições 2018

Em debates, Doria e França evocam 'espírito quinta série'

Repetição de ataques dos dois lados permite montar cartela de bingo para o próximo encontro

Sandro Macedo

Depois de um primeiro debate na Band digno do humorístico Saturday Night Live (em plena quinta), João Doria (PSDB) e Márcio França (PSB) foram transferidos para a hora do recreio no segundo encontro, na Record. Foi só coincidência, mas não parecia.

França e Doria durante debate na Band, na quinta-feira (18)
França e Doria durante debate na Band, na quinta-feira (18) - Reprodução

Os candidatos evocaram o melhor espírito da quinta série escondido em cada um de nós (desde a sexta série). “Você falou”, “não falei, não”, “você é um mentiroso”, “você que é”, “ele é o dono da bola”, “conta aí que você gosta do PT, conta, conta”, “ele é riquinho”, “helicóptero”, “helicóptero”, “helicóptero”.

De um lado, a sobrancelha levemente arqueada de Márcio França para as provocações de Doria. Algo como 2.0 na escala Jack Nicholson. Do outro, um sorriso eu-vou-te-pegar-na-hora-da-saída de Doria, mas sempre um sorriso.

E ainda tem o bedel, que atende pela alcunha de mediador. Na Band, Fabio Pannunzio chegou a comentar “eu espero que os dois cheguem vivos ao final do programa”. Isso, no primeiro bloco.

Na Record, Reinaldo Gottino precisou fazer umas seis ou sete intervenções e ameaçou retirar gente da plateia —não deu para ver pela TV, mas parece que tirou mesmo.

Fica a impressão de que deve ser uma delícia participar do debate —como um dos debatedores. Afinal, você pode provocar o coleguinha como nunca e pode ter a certeza de que ele não vai partir para a briga, afinal, o bedel (chamado de mediador) está lá para conter qualquer avanço.

Assistir ao debate pela TV, por outro lado, não deve ajudar muito a decidir o voto, mas pode provocar boas risadas se você estiver no espírito —de porco.

Os dois debates também deixaram uma grande dúvida. Não, nada a ver com programa de governo. Qual estúdio tem a melhor acústica, Band ou Record?

Dava para ouvir tudo que o Doria falava mesmo com o microfone desligado (ele não para de falar). Na Record, era preciso recorrer a leitura labial para captar um “você está mentindo”.

Na terça-feira teremos outro debate (por Deus). Desta vez, organizado por Folha, UOL e SBT. Parece pouco provável que os candidatos ao governo de São Paulo resolvam se comportar de uma hora para outra.

Assim, para o eleitor se divertir, propomos um exercício, o Bingo em Debate. Faça uma cartela com as frases que João Doria vai falar, outra, com as de Márcio França. Abaixo, sugestões de frases para integrar as cartelas.

Cartela do Doria: “Assume que você apoia o PT”, “esquerdista alaranjado”, “vote em Jair Bolsonaro (para o espectador)”, “chega de PT”, “você é carreirista”, “entre em podedesconfiar.com.br”, “chega de mimimi (ou não faço mimimi)”, “você é um mentiroso”.

Cartela do França: “Olha como ele é arrogante”, “riquinho”, “não sou traidor do meu partido como você”, “jurou que ia ficar em São Paulo (na prefeitura)”, “ele é dono da bola”, “helicóptero”, “helicóptero”, “helicóptero” (ele vai dizer tantas vezes que só configura ponto na terceira.

Quem completar primeiro a cartela grita “bingo” e pode trocar de canal.

Ou você pode apenas se imbuir de altruísmo e lembrar de uma pérola de sabedoria do filósofo-mediador Fabio Pannunzio (que merece um aumento). “Peço que deixem os candidatos falarem, o que eles têm a dizer é mais importante, por incrível que pareça.”

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