Descrição de chapéu Eleições 2018

Em último dia de campanha, Marina Silva se reúne com familiares no Acre

'Se continuar assim a gente vai para um poço sem fundo', afirmou candidata sobre polarização

Marina Silva (Rede) encerra campanha eleitoral em Rio Branco, no Acre
Marina Silva (Rede) encerra campanha eleitoral em Rio Branco, no Acre - Divulgação
 
Angela Boldrini
Rio Branco

"A tia Marina quer tirar uma foto", avisa um menino no lobby do hotel no centro de Rio Branco, capital do Acre, puxando os adultos para a escada da frente.

"Tia Marina" é a candidata da Rede à Presidência, Marina Silva, que em seu último dia de campanha decidiu fazer agendas privadas para encontrar a família na terra natal. 

"Não tem nem a metade da metade da metade", brinca a candidata, quando perguntada pela Folha sobre o tamanho da família, que enchia o saguão.

Uma caminhada no centro da cidade estava prevista, mas segundo dirigentes locais foi cancelada porque "não teria o impacto eleitoral desejado". "No sábado à tarde aqui em Rio Branco não tem fluxo de pessoas", diz Julio César de Sousa, porta-voz da Rede no estado. 

Um grupo de cerca de 50 apoiadores e familiares da candidata se aglomerou no aeroporto para esperar a chegada da comitiva da campanha. Junto com Marina, vieram coordenadores, membros da equipe e o marido, Fábio.

Com a candidatura desidratada, tendo caído de 16% nas intenções de voto para 4%, segundo pesquisas Datafolha, o clima é de final de festa, apesar das afirmativas de que ainda espera chegar ao segundo turno.

O último ato público previsto da campanha de Marina Silva foi o encontro no aeroporto, em que deu breve entrevista coletiva. 

"A população tem que ter a consciência de que uma eleição em dois turnos, no primeiro turno a gente vota em quem acredita", afirmou. Em baixa nas pesquisas, a candidata sofre a migração do voto útil para candidaturas mais bem posicionadas.

"As pessoas não podem votar porque têm medo ou porque têm raiva", disse. "Se a gente continuar dessa forma, a gente vai para um poço sem fundo." 

A candidata se emocionou as duas vezes que mencionou o pai, morto em janeiro deste ano, aos 90 anos. "É a primeira vez que eu vivo a experiência de chegar aqui e não encontrar meu pai", disse.

Segunda mais velha de oito irmãos, todos ainda em Rio Branco, foi recepcionada por duas irmãs na chegada à cidade natal.

Marina Silva (Rede) encerra campanha eleitoral em Rio Branco, no Acre
Marina Silva (Rede) encerra campanha eleitoral em Rio Branco, no Acre - Divulgação

“O pessoal não entende o que é bom e o que é ruim”, diz Maria de Jesus, sobre o porquê de Jair Bolsonaro (PSL) ser o primeiro colocado nas pesquisas no Acre, com 53% de intenção de voto. 

Mais baixinha que a candidata, a artesã de 57 anos é a quarta da família. Maria esperava com uma camiseta verde estampado com o 18, número de Marina nas urnas. Ela chama a irmã de corajosa, e diz que "toda campanha é difícil". "É o sonho dela, então tem que ser o nosso." 

Já Maria Lúcia, a terceira, é um ano mais nova que Marina. 

"Eu acho uma aventura muito grande da parte dela", diz a irmã, sobre as sucessivas tentativas de Marina de chegar à presidência. A dona de casa tem de parecido com a candidata não apenas o físico e os cabelos arrumados em um coque, mas também a voz aguda.

Não à toa, durante a campanha de 2014, era confundida com a presidenciável nas ruas do estado ---que, naquele ano, deu o primeiro lugar a ela, com 42% dos votos no primeiro turno. 

Neste domingo (7) a candidata vota em Rio Branco e depois embarca para Brasília, onde mora, para acompanhar a apuração das urnas.

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