Descrição de chapéu Eleições 2018

Empresários pró-Bolsonaro só registram doação a outros candidatos

Militar não foi beneficiado por empresariado próximo; TSE apura doações ilegais

Artur Rodrigues

O grupo de empresários mais próximos do candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro (PSL) fez doações a outros candidatos, mas não contribuiu oficialmente com a campanha do militar. 

A campanha de Bolsonaro é investigada pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) por doações não declaradas de empresários por meio de serviços de disparo de mensagens via WhatsApp —apuração aberta após reportagem da Folha

Até o momento, o candidato do PSL declarou apenas R$ 1,7 milhão em despesas, menos do que os principais concorrentes. Para se ter uma ideia, Guilherme Boulos (PSOL) gastou R$ 5 milhões. 

Dois membros do núcleo empresarial do militar, Luciano Hang, da loja de departamento Havan, e Mário Gazin, das lojas Gazin, chegaram a fazer um vídeo em que o segundo pede vitória de Bolsonaro no primeiro turno para "não gastar mais dinheiro". Depois, Gazin disse que, ao falar de dinheiro, se referia aos gastos do país com a eleição.

Nem Gazin nem Hang constam como doadores na prestação de contas do militar, de acordo com o site do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) nesta segunda (22). 

No entanto, Gazin, integrantes de sua família e empresa doaram cerca de R$ 300 mil reais ao DEM de Mato Grosso e outros candidatos. 

Luciano Hang contribuiu com R$ 160 mil a cinco candidatos --novamente, nenhum deles é Bolsonaro. A maior doação feita por Hang foi de R$ 100 mil a Ratinho Jr. (PSD), eleito governador do Paraná. 

Conforme a Folha revelou, Hang é um dos empresários que bancaram pacotes de disparos de mensagens via WhatsApp contrárias ao PT --ele nega. A prática é ilegal porque empresas estão proibidas de doar para campanhas eleitorais e porque os valores não foram declarados.

Além de Hang e Gazin, outros empresários do seleto grupo empresarial ligado à campanha do militar também ignoraram ou registraram doações ínfimas a Bolsonaro, embora tenham contribuído com outros políticos. 

É o caso de Sebastião Bomfim Filho, presidente da Centauro, célebre apoiador do militar que não gastou nenhum centavo oficialmente com a campanha dele. Porém, ele doou R$ 348 mil a outros 13 candidatos. 

A maior doação de Bomfim foi ao candidato ao governo paulista do PSDB, João Doria, um total de R$ 150 mil. Ele também fez doações a duas candidatas a deputadas federais do partido de Bolsonaro, Joice Hasselmann e Carla Zambelli, ambas eleitas. 

Outro empresário entre os mais próximos do capitão é Meyer Nigri, da construtora Tecnisa. Ele doou R$ 179 mil para vários candidatos e partidos. 

Os maiores valores foram para os tucanos José Anibal, candidato a deputado federal, e Ricardo Ferraço, que disputou uma vaga de senador —ambos receberam R$ 30 mil e não se elegeram. Para Bolsonaro, porém, Nigri doou apenas R$ 4.000 por meio de vaquinha virtual. 

Entre os empresários próximos, Pedro Zonta, da rede de supermercados Condor, doou R$ 4.000 por financiamento coletivo —Folha localizou ao menos mais R$ 12 mil de pessoas da mesma família. 

Zonta doou bem mais, R$ 51 mil, ao Delegado Francischini (PSL), eleito deputado estadual no Paraná. A Folha não localizou o empresário nesta segunda, mas no início do mês ele afirmou que a doação era aberta e registrada. 

A assessoria de Mário Gazin afirmou que ele estava viajando e não conseguiria localizá-lo. A assessoria da Havan, de Luciano Hang, não respondeu. Bomfim, da Centauro, afirmou que não comentaria o assunto.

A reportagem procurou Meyer Nigri por meio da Tecnisa, que declinou de responder. 

A campanha de Bolsonaro vem negando irregularidades nas contas da campanha.

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