Descrição de chapéu Eleições 2018

Ex-juiz gasta metade de patrimônio em campanha para chegar ao 2º turno do RJ

Witzel usou recursos de uma conta bancária que não havia sido declarada à Justiça Eleitoral

Italo Nogueira
Rio de Janeiro

​Sem declarar à Justiça Eleitoral qualquer recurso em conta bancária, o ex-juiz Wilson Witzel (PSC) gastou metade de seu patrimônio na campanha ao governo do Rio de Janeiro.

De acordo com dados de sua prestação de contas, ele transferiu R$ 185 mil para a campanha de 6 de setembro a 4 de outubro. Na lista de seu patrimônio entregue ao TRE (Tribunal Regional Eleitoral) do estado, contudo, consta apenas uma casa de R$ 400 mil.

A assessoria de Witzel afirma que, no momento do registro da candidatura, quando a declaração de bens é entregue, a conta bancária do candidato estava zerada.

Wislon Witzel (PSC), que disputará o segundo turno para o governo do Rio com Eduardo Paes (DEM)
Wislon Witzel (PSC), que disputará o segundo turno para o governo do Rio com Eduardo Paes (DEM) - Ricardo Borges/Folhapress

Os recursos transferidos à campanha são, segundo a assessoria do ex-juiz, honorários recebidos durante o período eleitoral por trabalhos executados antes de a candidatura ter sido oficializada.

Desde que largou a magistratura, Witzel se dedicou à advocacia, tendo integrado o corpo jurídico do PSC, além de prestar consultoria e se associar a dois escritórios.

Questionado sobre a origem dos recursos transferidos para a própria campanha, a assessoria do candidato afirmou que ele “presta consultoria jurídica e recebeu, além de honorários, luvas para ingressar em dois escritórios de advocacia, um no Rio de Janeiro e outro no Espírito Santo”.

O ingresso nos escritórios está em processo de registro na OAB e, por isso, também não fizeram parte da declaração de bens.

Essa auto doação representou 9% do total de R$ 2 milhões gastos pela sua campanha no primeiro turno. Witzel deu uma arrancada na última semana de campanha e chegou ao segundo turno com 41,28% dos votos válidos, à frente do ex-prefeito Eduardo Paes (DEM), com 19,56%, e que já gastou R$ 6,3 milhões, o triplo do adversário.

O ex-juiz decidiu usar dinheiro próprio na campanha quando o fundo eleitoral do PSC passou a escassear. O último repasse para sua campanha dessa origem foi em agosto. Já em setembro, a sigla enviou dinheiro do fundo partidário para dar o fôlego final à campanha.

A preocupação do comitê de Witzel neste momento é a escassez de recursos. O PSC já gastou quase todos os R$ 36 milhões que tinha disponíveis do fundo eleitoral com candidatos em todo o país —Witzel foi o terceiro que mais recebeu, R$ 1,5 milhão.

O caixa foi zerado porque a arrancada de Witzel foi inesperada até para a própria sigla, que não reservou recursos para um segundo turno. O PSC também tem como candidato a governador no segundo turno Wilson Lima, no Amazonas.

O crescimento do ex-juiz é associado à vinculação com a campanha do senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL).

Há três semanas, Witzel e o grupo de Flávio unificaram a estratégia de campanha, realizando atos em conjunto.

Embora surpreendente para todos, o ex-juiz sempre demonstrou confiança que chegaria ao segundo turno. 

Quando, na pré-campanha, era convidado para ser vice nas chapas de Paes, Romário (Podemos) e Anthony Garotinho (PRP), costumava retrucar ao oferecer a eles a vice em sua chapa.

Antes da campanha, ele também se encontrou com o governador Luiz Fernando Pezão (MDB) para conversar sobre o cargo e o estado. Ele pediu para conhecer o Palácio Laranjeiras, residência oficial, e foi convidado, junto com a família, para um jantar no local.

Na manhã desta segunda-feira (8), ele foi à Central do Brasil cumprimentar eleitores e dar entrevista. Buscou não demonstrar preocupação com a adesão oficial do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) à sua campanha.

“A questão não é ele vir para o meu palanque. É questão de propostas. O povo avalia. As propostas minhas e dele têm um alinhamento.”

Ele também ironizou a declaração de Paes que o classificou como uma pessoa “desconhecida” do eleitorado.

“Tem que perguntar a 3,1 milhões de eleitores se eu sou desconhecido”, disse.

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