Descrição de chapéu Eleições 2018

'Governador do Bolsonaro', coronel dos Bombeiros com estilo cordial é favorito em SC

Comandante Moisés também tem no combate à criminalidade uma de suas prioridades

Estelita Hass Carazzai
Florianópolis

Ele se apresenta como “o governador do Bolsonaro”. Mas, afora a carreira numa corporação militar e a promessa de combater a corrupção e a violência, pouco lembra o capitão reformado que disputa a Presidência. 

Aos 51 anos, o comandante Carlos Moisés da Silva (PSL) lidera as pesquisas para o governo de Santa Catarina. Com voz mansa e jeito cordial, o coronel da reserva do Corpo de Bombeiros faz sua primeira campanha e foi alçado surpreendentemente ao segundo turno, após receber 29% dos votos (quando tinha apenas 9% nas pesquisas). 

O candidato, que adotou Comandante Moisés como nome de urna, também tem no combate à criminalidade uma de suas prioridades –mas não faz gestos de revólver com os dedos, nem defende “ir com tudo para cima” dos criminosos. 

O candidato ao governo do estado de Santa Catarina Comandante Moisés (PSL-SC) ao lado do presidenciável Jair Bolsonaro
O candidato ao governo do estado de Santa Catarina Comandante Moisés (PSL-SC) ao lado do presidenciável Jair Bolsonaro - Reprodução/Facebook

Para ele, o caminho é investir no policial e melhorar os presídios, inclusive por meio de privatizações, reforçando o acesso do preso ao trabalho e ao estudo. 

“Eu entendo perfeitamente o sentimento do Bolsonaro”, declarou, em uma entrevista recente à Adjori (Associação dos Jornais do Interior de Santa Catarina). “O policial não tem retaguarda para trabalhar; tem que ser alvejado primeiro para depois reagir.” Para ele, a ideia é que o Estado “seja o único detentor da violência e só a use quando necessário”.

Moisés é mestre em direito, foi professor de direito constitucional e, como bombeiro, atuou na Defesa Civil e na secretaria de Justiça, quando trabalhou na prevenção de incêndios em presídios do estado. 

Na área administrativa, ele promete “despolitizar o Estado” e governar apenas com técnicos e profissionais de carreira. 

Uma consulta ao seu plano de governo, de enxutas cinco páginas, ajuda a explicar o conceito: o documento diz que “o Estado é aparelhado para saquear o dinheiro público e acomodar os mais chegados dos grandes conglomerados de partidos”. 

“A corrupção hoje é o principal problema da máquina pública”, disse o candidato, em debate no SBT.

Sem histórico partidário ou eleitoral, Moisés, que se filiou ao PSL em março, afirma representar “a verdadeira mudança”. Por isso, saiu em chapa pura, sem coligações e tampouco sem usar verbas do fundo partidário (à exceção da contratação de serviços jurídicos pelo partido). 

Sua campanha, que informou ter gastado R$ 417 mil até aqui, foi feita majoritariamente com doações de pessoas físicas. A maior parte da equipe é voluntária, e começou a trabalhar de forma quase improvisada. 

Aos poucos, a candidatura ganhou corpo —por isso, o minguado plano de governo, por exemplo, foi acrescido de novas sugestões ao longo da campanha, segundo Moisés. 

“Nossa coligação é com o povo e seguiremos sem conchavos políticos”, declarou. 

Gelson Merisio (PSD), em comício - Divulgação

O adversário, Gelson Merisio (PSD), que é deputado estadual e foi presidente da Assembleia Legislativa, tem batido no currículo do adversário, dizendo ser o único que tem experiência para governar Santa Catarina.

“Um governador não pode ser apenas um número”, declarou, alfinetando a propaganda de Moisés, que casa o 17 de Jair Bolsonaro com o do candidato a governador. 

Com apenas sete segundos de TV no primeiro turno, a campanha de Moisés colou na imagem do presidenciável e surfou na onda bolsonarista, especialmente forte em Santa Catarina, onde o candidato fez sua maior votação proporcional do país (com 65% dos votos).

Agora, investe também nas redes sociais, que ajudaram a impulsionar a candidatura de Bolsonaro. Moisés tem o “WhatsApp do comandante”, em que solicita o envio de vídeos de apoio dos eleitores e também envia conteúdos de sua campanha. 

Recentemente, passou a fazer lives no Facebook, tal como Bolsonaro, mas ainda demonstrando pouca intimidade com o ambiente. Em tom de voz baixo e quase tímido, dá boas-vindas aos internautas e promete “um tempo de qualidade”. Com a ajuda de um assessor, lê as perguntas dos eleitores. E responde calmamente, sem pressa ou arroubos retóricos. 

Na reta final da campanha, o pesselista diz ter sido vítima de fake news, em especial sobre nomes que teriam sido escolhidos para seu secretariado, em alianças com partidos como o MDB —o que ele nega. 

“Não conversamos com ninguém”, disse Moisés, em um vídeo divulgado nas redes sociais. Alguns políticos declararam voto em sua candidatura, mas não houve, de fato, alianças formais com nenhum partido.

A última pesquisa do Ibope o coloca como favorito para o próximo domingo: tem 59% das intenções de votos válidos, contra 41% de Merisio.

No último debate do segundo turno, realizado nesta quinta (25) na NSC, afiliada da Rede Globo, Moisés decidiu de última hora não ir: estava afônico, segundo sua assessoria, com “infecção aguda das vias aéreas superiores”.

De raras entrevistas no primeiro turno, o pesselista passou a ser solicitado para dezenas no segundo. Até esta quinta, havia ido a todos os debates, em que afirmou que representa uma “renovação” e criticou “os problemas deixados por políticos profissionais, que não se atentaram para as contas do estado”. 

Ainda com restrições a agendas públicas, em função do problema de saúde, não havia conversado com a Folha até esta sexta (26). Está em repouso, por orientação médica, até ordem em contrário.

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