Descrição de chapéu Eleições 2018

Governador eleito de SC é coronel dos Bombeiros e mestre em direito

Carlos Moisés da Silva (PSL) se projetou no embalo do presidenciável Bolsonaro

Estelita Hass Carazzai
Florianópolis

Eleito governador de Santa Catarina neste domingo (28), o comandante Carlos Moisés da Silva (PSL) se projetou no embalo do presidenciável Jair Bolsonaro, mas pouco lembra os rompantes do capitão reformado do Exército.

Aos 51 anos, com voz mansa e estilo cordial, o coronel da reserva do Corpo de Bombeiros disputou sua primeira eleição e foi alçado supreendentemente ao governo do estado.

O novo governador, que adotou Comandante Moisés como nome de urna, também tem no combate à criminalidade uma de suas prioridades —mas não faz gestos de revólver com os dedos nem defende “ir com tudo para cima” dos criminosos.

Para ele, o caminho é investir no policial e melhorar os presídios, inclusive por meio de privatizações, reforçando o acesso do preso ao trabalho e ao estudo.

Recentemente, Moisés passou a fazer lives no Facebook, tal como Bolsonaro, mas ainda demonstrando pouca intimidade com o ambiente. Em tom de voz baixo e quase tímido, dá boas-vindas aos internautas e promete “um tempo de qualidade”. Com a ajuda de um assessor, lê as perguntas dos eleitores. E responde calmamente, sem pressa ou arroubos retóricos.

“Ele é um democrata. Não é tão assim... As ideias do Bolsonaro são mais fortes, e o Moisés é mais tranquilo”, comentou à Folha o presidente do PSL em Florianópolis, Devair Esmeraldino. Para ele, o novo governador encampa a plataforma do Bolsonaro, mas a expõe de uma forma diferente, o que ajudou a atrair a confiança do eleitor.

Natural de Florianópolis, Moisés passou a maior parte de sua carreira no sul do estado, nas cidades de Tubarão e Criciúma. É mestre em direito, foi professor de direito constitucional e, como bombeiro, atuou na Defesa Civil e na Secretaria de Justiça, quando trabalhou na prevenção de incêndios em presídios do estado. É casado e tem duas filhas.

Sua candidatura, para adversários, foi marcada pelo improviso: o PSL decidiu sair com chapa para o governo em cima do prazo. O foco do partido, inicialmente, eram as candidaturas ao Legislativo. Mas dificuldades em formar uma coligação levaram à chapa pura.

Ao final, o plano de governo do pesselista ficou com apenas cinco páginas. Seus concorrentes questionam sua falta de experiência e a capacidade de formar e liderar uma equipe.

Até poucos meses atrás, era assessor do vereador de Tubarão Lucas Esmeraldino (PSL), presidente estadual do partido e principal fiador da candidatura de Moisés, que lançou também com o objetivo de garantir sua candidatura ao Senado (ele terminou em terceiro lugar).

Sem histórico partidário ou eleitoral, o candidato, que se filiou ao PSL em março, se apresentou como “a mudança de verdade”, e criticou “os problemas deixados por políticos profissionais”. Mas foi criticado pela falta de experiência --até três meses atrás, ele era assessor de um vereador em Tubarão (SC).

Sua candidatura, para adversários, foi marcada pelo improviso: o PSL decidiu sair com chapa para o governo em cima do prazo. O foco do partido, inicialmente, eram as candidaturas ao Legislativo. Ao final, o plano de governo do pesselista ficou com apenas cinco páginas. 

Os concorrentes questionam sua capacidade de formar e liderar uma equipe.

Moisés rebateu as críticas de que não tem experiência, e disse que esse é “um discurso vazio”.

“Você escolhe, testa e ou referenda, ou rechaça. É assim que funciona. Esse é o processo democrático”, afirmou ao votar neste domingo (28), dizendo que quer governar com o apoio do Legislativo, mas “isso não significa participação no governo”.

Na reta final, em função do que afirmou ser uma “infecção aguda nas vias aéreas superiores”, o pesselista faltou aos últimos compromissos de campanha, inclusive ao debate na afiliada da Globo, na quinta (25) –o que foi alvo de críticas do adversário, que o acusou de estar se esquivando do debate.

O candidato, que compareceu aos outros confrontos na TV, negou truque ou estratégia eleitoral, e disse ter seguido recomendação médica. Ele ficou sem aparecer em público durante quatro dias, à exceção de um vídeo divulgado em suas redes sociais em que afirmava estar tomando corticoide e antibióticos.

“Estou me recuperando, mas continuo na medicação”, declarou, neste domingo, quando disse que estava “bem melhor”. 

A campanha colou na imagem do presidenciável e surfou na onda bolsonarista, especialmente forte em Santa Catarina, onde o candidato fez no primeiro turno sua maior votação proporcional do país (com 65% dos votos).

Na reta final, em função do que afirmou ser uma “infecção aguda nas vias aéreas superiores”, o pesselista faltou aos últimos compromissos de campanha, inclusive ao debate na afiliada da Globo, na quinta (25) –o que foi alvo de críticas do adversário, que o acusou de estar se esquivando do debate.

O candidato, que compareceu aos outros confrontos na TV, negou truque ou estratégia eleitoral, e disse ter seguido recomendação médica. Ele ficou sem aparecer em público durante quatro dias, à exceção de um vídeo divulgado em suas redes sociais em que afirmava estar tomando corticoide e antibióticos.

“Estou me recuperando, mas continuo na medicação”, declarou, neste domingo, quando disse que estava “bem melhor”. 

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