Descrição de chapéu Eleições 2018

Haddad diz que Bolsonaro é 'balão de ar' e que pesquisa não pode 'mudar humor'

Para candidato do PT é preciso 'acertar agulha no lugar certo' para desconstruir capitão reformado

Marina Dias
Brasília

Em um momento crítico de sua campanha, em que aparece até 18 pontos atrás de seu adversário nas pesquisas do segundo turno, Fernando Haddad (PT) afirmou nesta terça-feira (16) que Jair Bolsonaro (PSL) é um “balão de ar” e que é preciso “acertar a agulha no lugar certo” para desconstruir o capitão reformado.

A campanha de Haddad tem tido dificuldade para frear a onda conservadora que empurra Bolsonaro e avança inclusive entre o eleitorado tradicionalmente petista.

Candidato à Presidência pelo PT, Fernando Haddad
Candidato à Presidência pelo PT, Fernando Haddad - Paulo Whitaker - 16.out.2018/REUTERS
 

O herdeiro do ex-presidente Lula admitiu que é preciso “um trabalho mais que antropológico” para entender quem vota no candidato do PSL mas disse que pesquisa “não pode mudar o humor”.

“Ele [Bolsonaro] é um balão de ar. É acertar a agulha no lugar certo [para desconstrui-lo]”, afirmou Haddad em evento com as frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, em São Paulo.

“É preciso um trabalho de comunicação, de pesquisa, mais que antropológico, para entender o que passa na cabeça das pessoas pra votar num sujeito desse”, completou.

Haddad tenta ampliar seu arco de alianças para além da centro-esquerda, mas tem encontrado dificuldade de adesão inclusive de atores do mesmo campo, como Ciro Gomes (PDT), que viajou à Europa na semana passada após seu partido declarar “apoio crítico” à candidatura do PT.

Nesta segunda (15), o irmão de Ciro, Cid Gomes, fez um discurso duro contra o PT no qual disse que o partido merecia perder a eleição, já que não admite erros.

Haddad não quis comentar as declarações mas a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, as minimizou, dizendo que foram um “desabafo” de Cid. “A trajetória de Ciro e Cid sempre foi na democracia e é desse lado que eles vão marchar na história”.

Haddad afirmou ainda que, mesmo que estivessem sozinhos, “a luta valeria à pena”, mas ressaltou que é preciso “ampliar” e pediu empenho da militância.

“É hora de militar no computador mas, também de porta em porta”.

O candidato petista voltou a atacar de forma mais assertiva Bolsonaro —o que resistia em fazer até o início do primeiro turno— e disse que ele está entre os dez piores parlamentares do Brasil. 

“Bolsonaro não tem compromisso com o país, capaz das maiores atrocidades verbais para colocar seus pontos de vida. Estamos diante dessa ameaça”, declarou.

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.