Descrição de chapéu Eleições 2018

Justiça Eleitoral quer registrar todas as queixas de eleitores contra urnas

Medida visa criar um canal formal de reclamação para evitar registros anônimos

Reynaldo Turollo Jr. Letícia Casado
Brasília

A Justiça Eleitoral prevê registrar cada reclamação de eleitor contra as urnas eletrônicas no segundo turno, que será realizado no próximo dia 28. É a medida mais efetiva tomada até agora pelas autoridades para tentar esclarecer as alegações de eleitores ou grupos políticos de que as urnas são fraudadas.

Urnas eletrônicas distribuídas em centros de votação em São Paulo
Urnas eletrônicas distribuídas em centros de votação em São Paulo - Xinhua/Rahel Patrasso - 6.out.18

Hoje, circulam pelas redes sociais informações de que houve dezenas ou centenas de milhares de denúncias de fraude no primeiro turno, mas não há registros formais. Logo após o primeiro turno, o primeiro colocado na disputa pelo Planalto, Jair Bolsonaro (PSL), sugeriu que só não venceu de imediato porque houve fraude nas urnas —o que as autoridades descartaram.

O objetivo, a partir de agora, é que o eleitor que realmente achar que detectou uma fraude registre a ocorrência para que ela seja investigada, em vez de só divulgar suspeitas nas redes sociais.

As normas para registro das reclamações foram lançadas nesta terça-feira (16) pela presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministra Rosa Weber, e pelo ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann.

“A manifestação de qualquer cidadão a respeito de problema no ato de votar, em especial qualquer irregularidade relativa ao funcionamento da urna eletrônica (defeito, mau funcionamento, etc.), deverá ser apresentada de imediato ao mesário ou presidente da mesa receptora da respectiva Seção Eleitoral”, diz a orientação.

“O presidente da mesa deverá registrar em ata e meio digital (aplicativo Pardal) a comunicação da ocorrência feita pelo cidadão durante ou logo após o ato de votar, com a descrição da urna e da situação apresentada, comunicando o fato ao juiz eleitoral da respectiva zona eleitoral”, continua o documento.

O aplicativo Pardal ao qual a norma se refere foi desenvolvido pela Justiça Eleitoral e deverá possibilitar a comunicação rápida entre o mesário e o juiz.

Caberá ao juiz eleitoral decidir quais providências adotar em cada caso, “inclusive a comunicação ao Ministério Público Eleitoral na hipótese de vislumbrar a possível ocorrência de crime eleitoral”.

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