Não é verdade que assessora abandonou Haddad após ouvi-lo em conversa com Gleisi

Notícia falsa diz que petista xingou religiosos após participar de missa em Aparecida

Sarah Mota Resende
São Paulo

É falsa a corrente de texto que diz que "principal assessora" do candidato à Presidência Fernando Haddad (PT) o "abandonou" após ouvi-lo dizer, em telefonema com a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, que quer "que o Brasil se dane" e xingando religiosos.

A mensagem viral com informações falsas circula pelo aplicativo de mensagens instantâneas WhatsApp e em redes sociais como Facebook e Twitter. 

Fernando Haddad (PT) em visita ao Clube de Engenharia, no Rio de Janeiro, nesta sexta (19) - Mauro Pimentel/AFP

Com palavras de baixo calão e erros de grafia e pontuação, diz o texto falso, que não tem autoria: "segundo ela ouviu Haddad falar claramente com a presidente do PT pelo celular; logo após retornar da missa no Santuário de Aparecida: disse Haddad 'Gleysi! quero que o Brasil se dane e que esses lideres evangélicos se fodam, eu quero é livrar minha pele, estou nessa para conseguir o foro, e me livrar de Moro, tenho 32 processos e a Policia Federal logo, logo estará à minha porta (sic)'". 

Ao projeto Comprova, a assessoria do candidato de Haddad negou as afirmações do boato. Segundo a equipe do petista, não houve nenhuma demissão ou pedido de afastamento, até o momento, de pessoas ligadas ao staff principal do ex-prefeito de São Paulo durante a campanha. 

O Comprova também não encontrou nenhum registro na imprensa que sustentasse outras afirmações da corrente de texto.

Segundo a agenda de Haddad, o candidato esteve na cidade de Aparecida uma vez durante a campanha —quando participou do debate na TV Aparecida, no dia 20 de setembro. Na ocasião, entretanto, o candidato não participou de nenhuma missa no santuário local.

No dia dedicado a santa considerada padroeira do Brasil pelos católicos, 12 de outubro, Haddad assistiu a uma missa numa igreja católica no bairro Jardim Ângela, em São Paulo. 

No dia 17 de outubro, Haddad reuniu-se, também na capital paulista, com representantes de igrejas evangélicas para pedir apoio político no segundo turno. 

Já o registro mais antigo encontrado pelo Comprova da foto que acompanha a corrente de texto data de 2013. Sem crédito, a imagem foi publicada no dia 30 de agosto de 2013 no site do Instituto Terra, Trabalho e Cidadania (ITTC) para acompanhar texto sobre mulheres que vivem em situação de cárcere no país.

De acordo com o texto, Haddad estaria na disputa eleitoral para conseguir foro privilegiado e não ser condenado pelo juiz da 13ª Vara Criminal Federal de Curitiba Sergio Moro, responsável pela operação Lava Jato na primeira instância. A informação, entretanto, é falsa já que Haddad não responde a nenhum processo pelo qual Moro seja responsável.

A corrente de texto enganosa foi enviada com pedido de verificação ao Comprova por 27 internautas. Também há registros de compartilhamento de internautas comuns no Facebook.

Participou também da apuração deste texto o Poder360, que integra o Comprova, projeto que visa identificar, checar e combater rumores, manipulações e notícias falsas sobre as eleições de 2018. É possível sugerir checagens pelo WhatsApp da iniciativa, no número (11) 97795-0022.    

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