Não é verdade que os 7,2 milhões de votos nulos representem fraude nas urnas eletrônicas

Ao contrário do que diz corrente de WhatsApp, votos foram anulados por ações dos próprios eleitores

São Paulo

Os 7,2 milhões de votos nulos contabilizados no primeiro turno das eleições 2018 não são resultado de mau funcionamento ou fraude nas urnas eletrônicas, ao contrário do que afirma uma corrente que viralizou no aplicativo de mensagens instantâneas WhatsApp.

Como verificado pelo Comprova, esses votos foram anulados pelos próprios eleitores, que digitaram um número inexistente para o cargo —por exemplo, se o eleitor colocar o número 99 ou 00 no momento de votar para presidente.

urna eletrônica na sede do TSE, em Brasília - Pedro Ladeira/Folhapress

No primeiro turno, que aconteceu no domingo (7), os votos nulos representaram 6,2% do total.

O voto também pode ser anulado se o eleitor digitar um número errado na urna, por exemplo de um partido que não está disputando determinado cargo em um estado.

Vídeos que circulam pela internet mostram que leitores se confundiram ao votar em Jair Bolsonaro no Rio de Janeiro –digitaram 17 ao votar para governador, mas o PSL não disputou esse cargo no Estado. Se eles tivessem apertado o botão confirma, teriam anulado o voto.

O texto enganoso afirma também que a anulação só é possível em votos em papel, o que não é verdade. Como explicado acima, quando o eleitor digita um número errado e aperta confirma, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contabiliza como voto nulo.

Mais uma informação errada no texto que tem circulado é de que o presidenciável do PSL, Jair Bolsonaro, poderia ter sido eleito no primeiro turno se tivesse recebido 2 milhões de votos a mais. Para que isso ocorresse, ele deveria ter conquistado 50% dos votos válidos mais um voto.

Como foram contabilizados 107.050.673 de votos válidos, uma vitória no primeiro turno seria atingida com 53.525.337 votos. Bolsonaro teve 49.276.990, ou 46,03% dos votos válidos —4.248.346 a menos que o necessário.

Captura de tela que mostra o viral enganoso que circula em redes sociais
Captura de tela que mostra o viral enganoso que circula em redes sociais - Reprodução

Participou também da apuração deste texto o jornal O Estado de S. Paulo, que integra o Comprova, projeto que visa identificar, checar e combater rumores, manipulações e notícias falsas sobre as eleições de 2018. É possível sugerir checagens pelo WhatsApp da iniciativa, no número (11) 97795-0022.      

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