Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

'Não sou o mais capacitado, mas Deus capacita os escolhidos', diz Bolsonaro em culto

Celebração ganhou ares de comício, com aplausos e gritos de 'mito' para o presidente eleito

O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) participa de culto ao lado do pastor Silas Malafaia na Assembleia de Deus Vitória em Cristo, na zona norte do Rio de Janeiro
O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) participa de culto ao lado do pastor Silas Malafaia na Assembleia de Deus Vitória em Cristo, na zona norte do Rio de Janeiro - Avener Prado/Folhapress
Talita Fernandes
Rio de Janeiro

Em seu primeiro ato público após ter sido eleito presidente, Jair Bolsonaro (PSL) foi a um culto na Assembleia de Deus Vitória em Cristo, do pastor Silas Malafaia, na noite desta terça-feira (30).

Ele chegou pouco depois das 20h, aos gritos de “mito” e fez um breve discurso ao lado de Malafaia, seu apoiador e responsável por celebrar seu casamento com Michelle Bolsonaro.

Emocionado, Bolsonaro fez um agradecimento por estar vivo após ter sido esfaqueado em ato de campanha, em setembro.

“Eu tenho certeza que eu não sou o mas capacitado, mas Deus capacita os escolhidos”, afirmou.

A presença de Bolsonaro moveu os fieis em direção ao palco, que prontamente sacaram os telefones dos bolsos e apontaram em direção ao presidente eleito.

Sua chegada foi anunciada por Malafaia em tom festivo: "Vem ai o presidente do Brasil".

Naquele momento, o culto ganhou ares de comício, com aplausos e gritos de mito.

Entusiasta das redes sociais, e protagonista de um canal no YouTube, Malafaia transmitiu tudo ao vivo.

A breve passagem de Bolsonaro pelo local, que durou cerca de 15 minutos, foi marcada por críticas à imprensa, exaltação da verdade e exaltação dos valores de famílias cristãs.

Embora seja católico, o presidente eleito conta com forte apoio de evangélicos.

Embora seja católico, Bolsonaro conta com forte apoio de evangélicos
Embora seja católico, Bolsonaro conta com forte apoio de evangélicos - Avener Prado/Folhapress

​Em um discurso de quatro minutos, o capitão reformado disse ter chorado muito em seu casamento e depois do resultado das eleições, no domingo (28), quando foi eleito com quase 58 milhões de votos.

No início do culto, Malafaia contou que quando soube sobre a pretensão de Bolsonaro ser presidente, avaliou que ele tinha 'pirado'.

O deputado federal, hoje presidente eleito, disse ter ouvido a mesma reação de Michelle, no fim de 2014, quando contou a ela sobre seus planos.

Em tom de testemunho, ele contou sua reação após saber que havia sido eleito: "Isso é para comemorar ou é para a gente, cada vez mais, pensar com mais profundidade o tamanho de todos os desafios que teremos pela frente?"

Enquanto falava com o público, seu rosto era exibido em um telão por uma câmera móvel que, de quando em quando, se aproximava de Bolsonaro.

Figura presente nas redes sociais, Malafaia transmite o culto pelas redes sociais.

Bolsonaro voltou a criticar a imprensa, a quem descreveu como adversária, dizendo ser vítima de calúnias.

"[Fui eleito com] 90% da grande mídia batendo na gente. Fui acusado do que eles são: calúnias e difamações", disse.

O discurso foi endossado por seu aliado logo depois.

"Quero dizer a toda a imprensa que nós não estamos votando em candidato a Deus. Nós não estamos votando em alguém que vai fazer graça para evangélico, seria muito mesquinho. Nós estamos votando em alguém para mudar a história da nossa nação", disse, arrancando aplausos dos fiéis.

Malafaia defendeu o estado laico, mas disse que não pode ser 'laicista'.

"Não é contra a religião e o povo tem religião", disse.

O pastor deu uma espécie de salvo conduto a Bolsonaro, dizendo que os problemas do Brasil, de "ladroagem" e "safadeza" não se resolverão em seis meses.

"Vai ter muito pau em cima desse cara. Como nenhum outro presidente da história desse país, ele vai ser policiado. Só que hoje tem redes sociais", disse. "Cada celular é uma emissora de televisão, uma editoria de jornal. Acabou o monopólio da informação."

Malafaia fez críticas indiretas ao ex-presidente Lula ao comentar a situação do Nordeste.

Ele disse que nordestinos estão em todo o país porque corruptos e cínicos deram 'esmola' para eles pensando que iam manipulá-los para sempre.

"Ele não vai dar paliativo não. Ele vai mudar a história do Nordeste, que vai esquecer desse cara aí que dizia que era filho da terra", afirmou, em menção ao ex-presidente petista.

Antes de deixar o local, Bolsonaro e Malafaia conversaram em uma sala isolada.

Na saída, o presidente eleito atendeu ao pedido de apoiadores e abriu a porta do carro blindado da Polícia Federal para fazer um breve aceno, que durou menos de um minuto.

O deslocamento de Bolsonaro se deu sob forte esquema de segurança.

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