Descrição de chapéu Eleições 2018

'Paguei por erros que não são meus', diz Anastasia após derrota em Minas

Romeu Zema (Novo) foi eleito para o governo do estado com 71,8% dos votos

Fábio Corrêa
Belo Horizonte

Faltavam poucos minutos para as 20h quando o senador Antonio Anastasia (PSDB) chegou ao seu comitê de campanha, no centro de Belo Horizonte.

Acompanhada por correligionários e aliados de peso, como o senador eleito Rodrigo Pacheco (DEM) e o presidente do PSDB em Minas, Domingos Sávio, a presença do candidato derrotado no segundo turno para o governo de Minas levantou o ânimo no salão tucano e praticamente triplicou o número de presentes no local.

Porém, uma ausência constante durante toda a campanha, e que acabou se tornando um fantasma para os tucanos mineiros nestas eleições, se repetiu: a de Aécio Neves.

Antonio Anastasia vota em Belo Horizonte
Antonio Anastasia vota em Belo Horizonte - Hugo Cordeiro/Divulgação

"Já disse isso publicamente, que eu acabei pagando um pouco por erros que não são meus - da classe política como um todo", declarou à imprensa o senador mineiro, que retorna ao cargo após ter se licenciado para tentar voltar ao comando do Estado que governou entre 2010 e 2014, justamente após a gestão de Aécio, de quem foi vice durante os quatro anos anteriores.

"Mas a responsabilidade é minha. Eu que fui o derrotado e assumo todos os ônus dessa derrota", completou Anastasia, sem citar diretamente o nome do ex-presidenciável, que derreteu politicamente após a divulgação, no ano passado, de uma ligação telefônica na qual pedia uma quantia de R$ 2 milhões para Joesley Batista, da JBS.

Já Domingos Sávio, questionado sobre a variável Aécio, foi mais direto. "O episódio Aécio é sem dúvida difícil porque ainda não houve todos os julgamentos. Embora no princípio do direito a dúvida é pró-reu, o princípio de opinião pública não é assim", afirmou o deputado, que ostentava no peito um adesivo verde e amarelo com os nomes de Anastasia e Jair Bolsonaro (PSL), em quem declarou ter votado para presidente.

"O senador Anastasia continua sendo nosso grande líder. Não posso entender que seja uma derrota dele", disse, elencando logo depois como outro fator para a derrocada tucana a participação no governo Temer. "Perdemos a legitimidade de se contrapor ao governo. Agora, o PSDB tem que se reencontrar dentro da proposta de social-democracia", declarou Sávio. "No momento que o PSDB passou a participar do governo, depois de 14 anos na oposição, sem ganhar eleição, o PSDB deixou de ser oposição. Virou poder e isso foi um grande erro."

Sobre o governo Bolsonaro, Sávio defendeu a posição de que o partido não aceite cargos na administração federal, mas tampouco se colocou como oposição, limitando-se a afirmar que irá esperar a definição da Executiva Nacional. "Bolsonaro precisará de um entendimento, de um grande pacto nacional para que o país dê certo."

Críticas ao PT

O vencedor, o outsider Romeu Zema (Novo) —que levou a melhor no segundo turno com 71,8 % dos votos válidos—, Anastasia se limitou a parabenizar. Na coletiva, as principais críticas do senador foram dirigidas com o atual governador, Fernando Pimentel (PT), que amargou o terceiro lugar no primeiro turno.

"Tenho certeza que o objetivo dele (Zema) será resgatar o Estado da grave crise que o atual governo nos colocou", afirmou.  Antes do pronunciamento, o tucano já havia parabenizado, por telefone, o novo governador mineiro.

No primeiro turno, os embates entre Pimentel e Anastasia dominaram a campanha. Enquanto ambos se culparam mutuamente pela grave déficit fiscal pelo qual vem passando o Estado, Zema surfou na onda de Jair Bolsonaro (PSL) e, surpreendentemente, chegou ao segundo turno nos últimos dias, enterrando as chances de reeleição petista e colocando o PSDB numa situação de derrota iminente.

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