Descrição de chapéu Eleições 2018

Polícia investiga origem de ameaças via WhatsApp no RN

O suposto grupo tem uma foto do partido de Bolsonaro e abriga relatos de possíveis estupros e homicídios

Marcelo Toledo
Ribeirão Preto (SP)

A Polícia Civil do Rio Grande do Norte está investigando supostas mensagens trocadas num grupo do aplicativo WhatsApp em que usuários, que se identificam como eleitores de Jair Bolsonaro (PSL), relatam ameaças e apologia a atos de violência contra eleitores de Fernando Haddad (PT).

Chamado Opressores RN 17 e com uma foto do partido de Bolsonaro, o suposto grupo abriga relatos de possíveis estupros e homicídios, conforme prints que têm circulado em outros grupos de WhatsApp desde a última semana.

Segundo o delegado Anderson Tebaldi, do Neic (Núcleo Especial em Investigação Criminal), designado pela Delegacia Geral de Polícia Civil do estado para apurar o caso, três pessoas cujos números telefônicos aparecem nas mensagens foram identificadas e ouvidas.

Polícia investiga grupo de WhatsApp em RN
Polícia investiga grupo de WhatsApp em RN - 15.jul.2018/REUTERS

Todas negam o conteúdo e alegam que houve manipulação de imagem. “A versão deles é de que a imagem foi manipulada. Vamos pedir judicialmente a quebra para saber se foram eles que postaram ou não e se de fato esse grupo existe”, disse Tebaldi.

Além desse grupo, chegou ao conhecimento do delegado a existência de outros supostos grupos semelhantes, mas por ora não estão em investigação.

O caso também é investigado pelo Ministério Público Eleitoral do estado. “Após analisar os indícios de veracidade, ou não, do diálogo mantido na rede social, a Procuradoria Regional Eleitoral no Rio Grande do Norte deverá decidir sobre a remessa do caso ao promotor eleitoral competente, se for o caso de apuração de possível crime do artigo 301 do Código Eleitoral [Usar de violência ou grave ameaça para coagir alguém a votar, ou não votar, em determinado candidato ou partido, ainda que os fins visados não sejam conseguidos]”, diz trecho de comunicado do órgão.

Se a conclusão for de que as imagens se referem a propaganda falsa (grupo fake), com o objetivo de “promover publicidade negativa de candidato”, a investigação será encaminhada para um dos procuradores auxiliares eleitorais.

Ainda conforme o Ministério Público Eleitoral, o órgão pediu à PF (Polícia Federal) que investigue a veracidade ou não do grupo.

Secretário do diretório municipal do PSL em Natal, Francesco Luan Azevedo Costa disse que membros do partido também receberam prints das postagens atribuídas a esse suposto grupo, mas que ele não tem elo com a legenda ou com a campanha de Bolsonaro.

“O nosso cuidado é máximo com isso. Querem colocar a culpa em Bolsonaro como se ele fosse o mandante disso tudo, acham que um militar é criminoso”, disse.

De acordo com ele, a campanha no estado tem sido limpa e sem nada que se assemelhe às imagens divulgadas sobre o suposto grupo.

Segundo o secretário, o criador do grupo de WhatsApp utilizou foto do PSL para se passar por um integrante da legenda justamente com o objetivo de confundir.

“Mas basta ver a linguagem para saber que não é nossa, é uma linguagem totalmente comunista. Por isso que precisamos mudar o Brasil”, afirmou. 

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