Descrição de chapéu Eleições 2018

Prefeitos tucanos deixam PSDB e apoiam Márcio França em SP

Para eles, Doria se preocupa com um projeto pessoal e não com os ideais do partido

Marcelo Toledo Gabriela Sá Pessoa
Ribeirão Preto (SP) e São Paulo

 Por opção ou por expulsão, prefeitos tucanos do interior de São Paulo estão deixando o PSDB por apoiarem o governador Márcio França (PSB), que tenta a reeleição, em vez do ex-prefeito João Doria (PSDB), candidato do partido.

Na avaliação dos prefeitos, o tucano candidato do partido se preocupa com um projeto pessoal, e não com os ideais defendidos pelo PSDB.

Prefeito de Lorena, Fábio Marcondes comunicou a decisão por meio de uma postagem em uma rede social. “Acredito que o mesmo [Doria] não representa os ideais do PSDB, e sim, um projeto pessoal do qual não me identifico”, afirmou.

De acordo com ele, a saída se dá também pelo descontentamento com o partido. “Não é de agora que tenho explanado aqui meu descontentamento com o partido, que até poucos meses administrava o estado de São Paulo e que durante anos pouco somou aos projetos e investimentos pensados por minha administração para Lorena.”

Já o prefeito de Pirassununga, Ademir Lindo, foi expulso nesta quinta-feira (18) do PSDB após declarar apoio a França na eleição para governador.

Lindo se encontrou com França num evento em Piracicaba e afirmou que o apoia, além de ter criticado o candidato do seu partido, assim como o prefeito de Lorena.

Para ele, Doria tomou atitudes, como anunciar apoio a Jair Bolsonaro (PSL) na disputa presidencial, sem consultar o partido.

“Ele tomou rumo muito difícil, sem consultar partido, sem perguntar se concordávamos com as coisas. E diante da calúnia que fez contra companheiros históricos, como é o caso do Alberto Goldman, do Geraldo Alckmin, não tive clima para permanecer ao lado dele”, disse.

José Paganini, de Itapira, telefonou para a Folha para anunciar sua adesão ao pessebista pelas mesmas razões. Ele diz que sempre foi fiel a Alckmin e ao PSDB e que, com a decisão, segue "o caminho já traçado em 2014, que o próximo governador seria o Márcio França, fio no bigode".

Ligado ao deputado estadual Barros Munhoz, que migrou do PSDB para o PSB em março para apoiar França, Paganini diz que já trabalha para a reeleição do governador desde o primeiro turno. Segundo ele, todos os compromissos da gestão com o município ---como convênios para o recapeamento de asfalto e construção de creche--- foram cumpridos. 

Comandado por um aliado de Doria, o PSDB da capital expulsou o ex-governador Alberto Goldman, o secretário estadual de Governo Saulo de Castro e mais 15 filiados da legenda por infidelidade partidária.

Lindo afirmou que votou em Doria no primeiro turno, mas não se sentiu à vontade diante das atitudes dele. “Deveria consultar o partido sobre Bolsonaro. Temos milhares de companheiros no PSDB.”

O prefeito afirmou ainda que recebeu a notícia da expulsão com tristeza e que vai recorrer até as últimas instâncias partidárias para manter a filiação.

"Sou fundador do partido, estou desde o início. Não sou o Doria, que chegou agora. Sofremos para montar o partido. Recebi com tristeza a notícia, de pessoas que não têm história."

Questionado se ele se referia também ao presidente do diretório estadual tucano, Pedro Tobias, afirmou que sim. "[Eles] Não têm um caminhar, eu tenho um caminhar no PSDB desde o primeiro dia. [Doria] está se achando dono do partido, o cara. Goldman é muito mais importante que ele."

Já o prefeito de Santos, Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), está sendo alvo de um pedido de justificativas do diretório estadual tucano sobre entrevista à Folha em que diz que Doria é traidor e defende o atual governador.

“Minha posição é de preservar os valores da social-democracia. O PSDB em que eu acredito é o do Montoro, Covas, Alckmin [...] Existe necessidade de avanços em SP, mas não é correto deixar de defender o legado do PSDB no estado por 24 anos. Márcio tem defendido de forma clara”, disse.

Questionado sobre a ofensiva de Doria na caça aos infiéis, Barbosa disse que estava com a “consciência tranquila”.

“Tenho a consciência do dever cumprido. Ao contrário do candidato do PSDB, que foi escolhido nas prévias com a expectativa de ter um prefeito por quatro anos e houve uma traição aos filiados que o escolheram. Depois, eu diria que houve uma traição ao grande responsável pela escolha do João Doria, que foi justamente o Geraldo. Traiu seu padrinho político.”

O PSDB local repassará a questão do diretório estadual ao PSDB nacional, do qual Barbosa faz parte.
 
Parte da campanha de França vê com ressalvas esse movimento de prefeitos em direção ao atual governador. A conta é que, se o prefeito vai mal em sua cidade, essa rejeição pode ser transferida ao pessebista ---o que não é vantagem na campanha. 

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