Descrição de chapéu Folha Informações

Tabela que compara pesquisas eleitorais e resultados tem porcentagens erradas

Viral que circula em redes sociais sugere que pesquisas têm favorecido candidatos do PT

Amanda Lemos
São Paulo

A informação de que diferença entre pesquisas e resultados nas eleições desde 2002 favoreceram Lula e Dilma é imprecisa e contém erros. O conteúdo foi repassado por leitores para o Folha Informações, canal de checagem de boatos e notícias falsas do jornal.

Uma tabela foi publicada no dia 29 de setembro por Fernando Felipe, acompanhada de um texto onde afirma que nas últimas quatro eleições presidenciais há uma “curiosa coincidência” na origem de candidatos que supostamente seriam favorecidos.

As porcentagens do Ibope e Datafolha utilizados na tabela comparam as últimas pesquisas antes da eleição e resultados do primeiro turno. “Problema de método ou coincidência?”, questiona o tuíte de Fernando Felipe.

Alguns dados do Ibope estão errados. Em 2006, Lula atingiu 50% de intenção de votos na última pesquisa antes do primeiro turno, enquanto Alckmin somou 38%. Em 2014, Dilma tinha 44% e Aécio 32%.

Procurado pela reportagem, o Ibope afirmou que todas as pesquisas são pautadas em critérios técnicos da ciência estatística. “Seus resultados refletem fielmente o que encontramos na interlocução com as pessoas que entrevistamos e independem totalmente dos interesses de quem nos contrata”, diz.

De acordo com o Datafolha, a função de uma pesquisa feita na véspera de uma votação não é antecipar resultados exatos, mas estudar tendências ao longo do processo eleitoral.

Além disso, afirma que a comparação que circula nas redes sociais, feita entre o resultado oficial e os resultados de véspera das pesquisas Datafolha, desconsidera a margem de erro dos levantamentos.

O Datafolha lembra que pesquisa concluída no dia 4 de outubro deste ano, a três dias do 1º turno, apontava 5% de indecisos. “Entre os que já tinham escolhido um candidato ou pretendiam invalidar o voto, um quarto (26%) declarava que ainda poderia mudar de ideia até a votação”, diz em nota.

Em 2014, por exemplo, no 1º turno, 9% dos eleitores decidiram seu voto no dia da eleição, e 6%, na véspera da eleição.

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