Descrição de chapéu Eleições 2018

'Temos uma Justiça analógica para lidar com um crime digital', afirma Haddad

O candidato sugere que a eleição esteja comprometida em outras esferas devido ao contexto de irregularidades

Ana Luiza Albuquerque
Rio de Janeiro

O presidenciável Fernando Haddad (PT) afirmou a jornalistas na tarde desta sexta-feira (19) que o país tem uma Justiça analógica para lidar com um crime digital.

Ele comentava reportagem da Folha que revelou nesta quinta (18) que empresários pagaram até R$ 12 milhões para comprar disparos em massa contra Haddad no Whatsapp.

O PT entrou com pedido na Justiça para que Bolsonaro fique inelegível por oito anos.

Nesta sexta-feira (19), em evento no Clube da Engenharia, no centro do Rio de Janeiro, o petista se referiu à irregularidade como um "tsunami cibernético".

Fernando Haddad, candidato à Presidência pelo PT
Fernando Haddad, candidato à Presidência pelo PT - Ricardo Moraes/REUTERS

"Vai ter um desequilíbrio muito grande daqui para a frente se a Justiça fizer vistas grossas pro dinheiro de caixa 2 entrando nos cofres dessas empresas de tsunami cibernético (...) Na minha opinião, acho que a Justiça deveria se debruçar sobre isso inclusive nesta campanha, porque estamos a 10 dias do segundo turno."

O petista também sugeriu que a eleição já foi comprometida em outras esferas, argumentando que parlamentares foram eleitos em meio a este contexto de irregularidades.

"Uma parte do novo Congresso foi eleito com base nessa emissão de mensagens em massa por Whatsapp", disse. 

Sobre a afirmação de Bolsonaro de que irá processá-lo, Haddad transferiu a responsabilidade da denúncia para a Folha. "Nós já entramos com ação judicial, com vários pedidos de busca e apreensão de computadores e documentos comprobatórios das acusações que a Folha de S. Paulo fez. Por que ele não processa a Folha?" 

Em discurso para apoiadores, o petista criticou a cobertura do Jornal Nacional sobre o caso. Ele disse que assiste pouco ao programa, mas que ficou curioso sobre como o JN trataria uma denúncia do maior jornal do país.

"[O Jornal Nacional disse que] o Haddad está acusando o Bolsonaro disso e daquilo. Mas não fui eu que fiz a reportagem, eu só estava verbalizando uma indignação."

Haddad também lamentou que a repórter da Folha tenha sido ameaçada após a divulgação da matéria que revelou o financiamento dos empresários no Whatsapp.

"A repórter está sendo ameaçada, evidentemente, porque meu adversário não convive bem com o jornalismo livre. E nós não temos jornalismo livre, quatro famílias controlam a comunicação no Brasil", afirmou.

"Quem batia no peito dizendo que a Justiça Eleitoral não iria aceitar fake news [ficou em] silêncio absoluto sobre a denúncia de ontem."

O petista também voltou a chamar Bolsonaro para debater, disse que não sabe contra quem está concorrendo e criticou o candidato do PSL por delegar questões econômicas para Paulo Guedes. "Delega para o Paulo Guedes, que a todo momento é desmentido pelo candidato."

Haddad afirmou aos apoiadores, ainda, que o país teve que voltar a defender pautas dos anos 50, como a Petrobras e a CLT, e dos anos 70, como a Amazônia e a soberania nacional.

Ele disse que Bolsonaro invoca uma tradição do regime militar que não representa. Para Haddad, a ditadura tinha um viés nacionalista, enquanto o candidato do PSL é entreguista.

Além disso, segundo Haddad, o regime teve um "viés liberalizante" do ponto de vista comportamental, enquanto Bolsonaro representa a regressão. "Lembro de vários momentos dos anos 70 e 80 em que a liberalização de costumes era patrocinada pelo próprio regime."

De acordo com o petista, a única herança que Bolsonaro herdou da ditadura foi a truculência com quem pensa diferente. "Isso herdou até a medula a genética do regime militar."

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