Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Onyx rebate delação sobre caixa dois em 2012 e ataca a Folha

Reportagem mostrou que uma planilha entregue por delatores sugere que Onyx recebeu R$ 100 mil via caixa dois

Letícia Casado Gustavo Uribe
Brasília

O futuro ministro da Casa Civil do governo de Jair Bolsonaro, deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), rebateu nesta quarta-feira (14) delação da JBS que indica que ele recebeu via caixa dois uma doação eleitoral da empresa no ano de 2012.

Reportagem publicada pela Folha nesta quarta mostrou que uma planilha entregue por delatores da JBS à Procuradoria-Geral da República sugere que Onyx recebeu R$ 100 mil via caixa dois naquele ano. O pagamento a “Onyx-DEM”, segundo a tabela, foi feito em 30 de agosto de 2012, em meio às eleições municipais. De acordo com os colaboradores, o dinheiro foi repassado em espécie. Na época, Onyx já comandava o DEM-RS.

Onyx Lorenzoni - Adriano Machado/Reuters

No ano passado, o congressista confessou ter obtido da empresa, para a campanha de 2014, R$ 100 mil não declarados à Justiça Eleitoral.

Nesta quarta, Onyx criticou a reportagem, atacou a Folha e pediu uma trégua a todos para que o governo Bolsonaro seja montado.

"Agora se requenta uma informação do ano passado, dada por alguém que não sei quem é, se passo na rua não sei quem é, não conheço, nunca vi. No episódio de 2014, reconheci e fiz o que uma pessoa que carrega a verdade consigo tem que fazer. Nada temo, não é a primeira vez que o sistema tenta me envolver com a corrupção. Alto lá, sou um combatente contra a corrupção e essa é a história da minha vida. O que a Folha quer? O Haddad, que tem 30 processos? O que a Folha quer? A Folha queria o Lula? E a mídia engajada queria o Lula, a Dilma, o José Dirceu? Perderam a eleição", afirmou o futuro ministro da Casa civil. 

As declarações foram feitas quando ele chegou ao CCBB (Centro Cultural do Banco do Brasil) para uma reunião com a equipe de transição do governo Bolsonaro.

Questionado pelos jornalistas se o delator da JBS teria mentido, Onyx não respondeu. Ele tampouco disse se recebeu o dinheiro de caixa dois, conforme indica a planilha da JBS.

"Faz um ano que muitos tentam destruir Jair Messias Bolsonaro, seus filhos, seus colaboradores, quem está próximo dele, mas qual foi a resposta da sociedade brasileira? Uma vitória esmagadora. Eu não temo. Tenho a verdade comigo. Quando a verdade foi dura contra mim, ela foi usada contra. A verdade para mim é um valor do qual eu não me afasto. Tenho 24 anos de vida pública sem um processo. Portanto, nada temo. Vamos enfrentar isso com altivez", disse.

Ele defendeu uma espécie de trégua para montar o governo Bolsonaro.

"No governo que está sendo montado, não houve nenhuma trégua desde o final da eleição. Todo dia tem alguém batendo num governo que não teve paz para tentar se organizar. Eu pedi a todos que nos dessem uma trégua, que nós pudéssemos organizar o governo. Depois nos cobrem pelos erros e pelos acertos que todos os governos cometem, que todas as pessoas cometem. Agora, ficar tentando fragilizar, não vão nos fragilizar", afirmou.

"Portanto, senhoras e senhores. Eu não temo a Folha, não temo JBS, não temo a ninguém. O que eu desejo, junto com Jair Bolsonaro e toda equipe, é fazer uma transformação verdadeira no Brasil. Não me assusta. Eu sei quem é esse sistema corrupto que está por trás de tudo isso. Estamos preparados. Temos Deus e o povo brasileiro do nosso lado. E nós vamos enfrentar com altivez, com coragem, toda e qualquer tentativa de nos conectar à corrupção", disse. 

Onyx disse ainda que a Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), agência do governo federal, deu recursos ao UOL, empresa do Grupo Folha, durante o governo de Dilma Rousseff (PT). "E por fim, por que é mesmo que a Finep, em vez de financiar pesquisas médicas, combate ao câncer, medicamentos e remédios, deu no governo Dilma R$ 340 milhões para o UOL? A troco de quê? Será por isso que tem essa paixão da Folha pelo PT?".

O UOL recebeu um financiamento da Finep, agência pública que incentiva empresas que investem em inovação.

"A Folha de S.Paulo quer o terceiro turno das eleições. Vou relembrar a história. Em 2005 o PT falsificou a assinatura do ex-ministro e ex-governador Tarso Genro para tentar cassar o meu mandato na Câmara dos Deputados, fato comprovado por quatro perícias. No ano em que saiu a delação da Odebrecht, com estardalhaço, a Folha fez uma acusação a este parlamentar. Qual foi o resultado depois de um ano e cinco meses? Provei que a planilha era falsa. Disse que nunca tive contato com a Odebrecht, não há um registro. Provei que o senhor Alexandrino Alencar mentia. E sei quem era o inimigo, e não era eu", disse.

Antes dessas declarações, em entrevista à Rádio Gaúcha, Onyx também se defendeu da reportagem, criticando a Folha.

"A Folha passou os últimos 12 meses atacando Bolsonaro e ataca a todos que estão dando condições para que o Brasil seja transformado", disse.

Ele acusou a Folha de tentar criar "mecanismos de instabilidade" para fragilizar o governo, disse desconhecer Demilton Castro, responsável por pagamentos ilegais da JBS, e também pediu uma espécie de trégua aos veículos de imprensa.

"Quem sabe a gente pode ter uma trégua. Nos deixe organizar o governo, vamos colocar o governo para trabalhar e aí, depois, nos julguem", disse.

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