Descrição de chapéu Eleições 2018

Os populistas se foram, diz prefeito de BH sobre eleição de Romeu Zema

Eleito em 2016 com o slogan 'chega de político', Kalil afirma que sua eleição antecipou o que aconteceu em Minas e no Brasil neste ano

Carolina Linhares
Belo Horizonte

"Acabou coxinha, acabou mortadela. Agora é quibe", disse Alexandre Kalil (PHS), ex-presidente do Atlético Mineiro, ao ser eleito prefeito de Belo Horizonte em 2016. Nestas eleições, outro novato na política consolidou a derrocada de PT e PSDB em Minas Gerais —o empresário Romeu Zema (Novo) foi eleito governador em sua primeira disputa, derrotando o governador Fernando Pimentel (PT) e o senador Antonio Anastasia (PSDB).

"Os populistas se foram. Agora o povo brasileiro quer ordem e gente séria", disse Kalil em entrevista à Folha. "O brasileiro sabe votar."

Alexandre Kalil (PHS), prefeito de Belo Horizonte, vota em colégio da capital mineira
Alexandre Kalil (PHS), prefeito de Belo Horizonte, vota em colégio da capital mineira - Ramon Bitencourt - 7.out.2018/O Tempo/Agência O Globo

A principal promessa de Zema, enxugar o estado, Kalil também fez. Ele cortou gastos revendo contratos e reduzindo 18,5% dos cargos.

"O futuro não aceita mais a teta ser tão grande", diz sobre as despesas do poder público.

Aliado de Ciro Gomes (PDT) na disputa presidencial, diz que o candidato teve uma posição "absolutamente coerente" ao não apoiar expressamente Fernando Haddad.

 

Prefeitura e estado vão ter governos de novatos na política e que se elegeram com discurso contrário à política tradicional. O que isso significa? Que o povo cansou. E que vai avaliar daqui um pouco. Estou completando dois anos de governo e a resposta que eu espero dar é de que valeu a pena o voto. Para governador e presidente, vamos saber daqui um ano se votamos certo ou errado. Isso não é rótulo de sucesso ou fracasso, são pessoas diferentes.

Eu não sou igual Bolsonaro e Zema, não sou melhor e não sou pior. Você pode escolher um candidato novo igual Kalil e dar errado e escolher um candidato novo igual o Zema e dar certo.

Vai tentar reeleição? Está cedo, deixa eu acabar a metade primeiro.

O sr. disse que os partidos políticos são leprosos. Isso se comprovou nesta eleição? Pergunte ao Márcio Lacerda [pré-candidato ao governo pelo PSB que foi derrubado pela própria sigla em acordo com PT].

Como assim? O que o partido fez com Márcio Lacerda, que não é meu amigo, é coisa que não se faz nem com um cachorro. Ele é testemunha viva de que estar vinculado num partido poderoso é quase uma lepra.

PT e PSDB perderam no Brasil e em Minas. O que isso quer dizer? Que o brasileiro sabe votar. Pelé estava errado. O brasileiro vota muito bem. Nada pessoal contra PT e PSDB, mas sabemos o que aconteceu com PSDB aqui em Minas e o que aconteceu com o PT no Brasil e em Minas.

O brasileiro foi lá e votou. Mostraram que quem fez o que fez com o Brasil durante um revezamento de tantos anos não vai voltar ao poder. Não queremos mais vocês aqui, dá licença, vamos dar chance para outros. O recado é simples assim.

O maior desafio de alguém que chega ao poder sem apoio político é o relacionamento com outros Poderes? Não. O maior desafio é saber, chegar aos seus ouvidos, como prefeito, onde está o problema e quais são os principais problemas. Consegui fazer da Câmara o grande ouvido do prefeito na cidade. Porque como aqui não tem nenhum funcionário de nenhum vereador, eu troquei o apoio [político] pelo atendimento à população das regiões deles. Quem está na ponta traz o problema pra mim e eu atendo. Com isso, atendo o vereador, que precisa do voto da região.

Sobre relacionamento de político novato com o Legislativo, temos que colocar a responsabilidade não só no governador. Temos que parar de achar que é comum a oposição por oposição, demagógica. Que eu sofri inclusive do partido dele [Zema]. É responsabilidade dos 77 deputados estaduais ajudarem o governador a tirar o estado da crise.

A ideia é construir uma base com base na responsabilidade? O que o novo governador está escutando, eu escutei. 'Você não vai conseguir.' Eu aprovei tudo que eu quis. Tenho uma base folgada. E não dei cargos políticos. É por que sou bonito? É porque eu soube entregar um produto para eles que são as obras, que eles e o povo necessitam.

O sr. falou que sofreu oposição por oposição do Partido Novo, do vereador Mateus Simões, em qual ocasião? Ele fez um estardalhaço de uma viagem para Brasília. Atinge a pessoa física, não é uma coisa administrativa. Ele não tem a menor influência, porque é muito pequeno, na minha relação com o governador [eleito]. Ele é um vereador entre 41. Eu sou o prefeito da terceira maior capital. Eu não não me julgo nem maior e nem menor do que sou, mas sei meu tamanho. Isso não vai influenciar, estive com Zema duas vezes sozinho aqui. Mas não pode fazer oposição por oposição, temos que ter responsabilidade com a cidade.

Mas ele não tinha razão de contestar um gasto de R$ 63 mil de jatinho para ir a Brasília?
Até acho. Foi um erro. Estou dizendo que ele não tem que mandar email para jornalista sem explicar os dois lados. Eu não quero entrar nisso, é muito pequeno para entrevista. Se eu for mexer com vereadorzinho lá que nunca aprovou projeto... Não vou te dar entrevista de vereador projeto zero.

Zema esteve aqui na prefeitura duas vezes, o Sr. o conhecia? Não, conheci na campanha. Tive com ele a primeira vez, ele tinha 3% [de intenção de votos]. E depois do segundo turno. Me pareceu uma pessoa simples e bem intencionada. Estou muito esperançoso que todos, inclusive Assembleia, Ministério Público, Judiciário, todos nós, que a gente se dê a mão para fazer um governo melhor.

Tem alguma dica pra ele? Quem sou eu. Estou aprendendo. Se eu pudesse dar dica, diria: aprenda, aprenda e aprenda. Escute todo mundo, que a possibilidade de errar é um pouco menor.

O sr. disse [em 2017] que estava foda cumprir promessas. Vai ser foda para ele cumprir promessas? Já que o estado não tem verba? Se pra mim era foda, pra ele vai ser foda e meio.

O que esperar de Bolsonaro no governo federal? A responsabilidade de um estadista de 58 milhões de votos. Ele tem a caneta poderosa de 58 milhões de votos na mão, ele tem que respeitar essa caneta e ser respeitado pela população.

Ciro errou ao não apoiar Haddad? Não. Acho que temos que nos acostumar a apoiar e ser apoiados. Quando tem um pessoal que só quer apoio a vida inteira, anos e anos, deu no que deu.

Está falando do PT. Sim, tem hora de apoiar e ser apoiado. Não pode querer a vida inteira o apoio dos outros. Na hora que você precisa ser apoiado, você não só não é apoiado, como é sabotado. E depois vem cobrar minha conta? Acho que ele teve uma posição absolutamente coerente. Ele disputou a eleição, trabalhou, fez o papel dele democraticamente, mas não é obrigado a... Ele não é escravo de ninguém. Ele não é poste de ninguém, não.

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