Bolsonaro diz que fez outros empréstimos a Queiroz e nunca cobrou juros

Presidente eleito relembrou de uma dívida passada do motorista que chegou a R$ 20 mil

Wálter Nunes
São Paulo

O presidente da República eleito, Jair Bolsonaro, disse nesta segunda-feira (31), que fez mais de um empréstimo a Fabrício Queiroz, ex-assessor de seu filho Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, e que nunca cobrou juros por isso.

"Há seis, sete, oito anos atrás também chegou uma dívida a R$ 20 mil e ele pagou em cheque para mim também. Quem nunca fez um negócio como esse com um amigo até? Foi o que foi feito. Não cobrei juros, não cobrei nada, então não devo nada", disse Bolsonaro em entrevista ao Jornal da Record.

Queiroz é alvo de um relatório do Coaf (Conselho de Controle das Atividades Financeiras) que identificou uma movimentação atípica de R$ 1,2 milhão entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017 —o cálculo soma entradas e saídas. 

Entre as movimentações relatadas pelo Coaf há a identificação de um depósito de R$ 24 mil de Queiroz para a conta de Michelle Bolsonaro, esposa do presidente eleito. Bolsonaro justificou na ocasião que o valor era referente ao pagamento de um empréstimo que o ex-deputado havia concedido a Queiroz. Ele voltou a justificar esse empréstimo hoje. 

"A questão da minha esposa. Não é apenas esta vez. O Coaf fala que foram R$ 24 mil. Na verdade foram R$ 40 mil. Foi uma dívida que foi se acumulando dele até que eu cobrei dele e a maneira de cobrar foi o quê? Me dá um cheque", disse Bolsonaro. 

"Não foi conta para conta. Foi um dinheiro que foi acumulando que chegou a um ponto tal..."

O presidente eleito, Jair Bolsonaro, participa de reunião ministerial na Granja do Torto. Na foto, com Osmar Terra, Ernesto Araujo e Marcos Pontes.
Presidente eleito, Jair Bolsonaro, participa de reunião ministerial na Granja do Torto. - Rafael Carvalho /Governo de Transição

Bolsonaro reafirmou a confiança em Fabrício Queiroz. 

"Eu conheço o Queiroz desde 1984. Ele foi recruta meu na Brigada de Infantaria Paraquedista. Depois nós voltamos a nos encontrar, eu deputado e ele policial militar no Rio de Janeiro. Foi trabalhar com meu filho e sempre gozou de toda liberdade e confiança nossa", disse.

"Apareceu esse negócio do Coaf. Oito nomes de pessoas que transferiram dinheiro para a conta dele. Três familiares. Aí eu não entro no detalhe. Eu já transferi para a minha esposa e acho que não tenho problema no tocante a isso aí", disse Bolsonaro.

"Os cinco outros que transferiram, porque eu tive acesso aquela parte do relatório do Coaf, foram pessoas que depositaram de R$ 300 a R$ 8 mil durante um ano, não foi todo mês. Ele tem que explicar no tocante a isso aí. Agora ele já falou claramente sobre aquela desconfiança “ah, é caixa dois, ah é um laranja”. De mim nunca foi", disse o presidente eleito.

Bolsonaro também disse confiar na inocência do filho, o senador eleito Flávio Bolsonaro. 

"A questão do meu filho. Ele não está sendo investigado por absolutamente nada. Agora se tiver algo mais, que eu desconheço, cabe essa explicação ao seu Fabrício Queiroz, não cabe a mim", disse.

POSSE

Jair Bolsonaro toma posse como presidente da República nesta terça-feira (1). 

Às vésperas da posse na Esplanada dos Ministérios a forte presença de forças de segurança se mesclou à festa das caravanas que vieram para acompanhar a troca de faixa.

Bolsonaro tomará posse nesta terça-feira (1º) protegido por um aparato militar sofisticado. 

O Comando de Operações Aeroespaciais, da FAB (Força Aérea Brasileira), destacou 20 aeronaves com autorização para interceptar e destruir aviões que ingressem no espaço aéreo da Esplanada.

Caças supersônicos F5-E, capazes de abater aeronaves a dezenas de quilômetros de distância, foram deslocados das bases aéreas do Rio de Janeiro para a capital. 

Haverá ainda supertucanos, A-29, turboélices fabricados pela Embraer, para combater eventuais aeronaves pequenas. 

Para fazer a segurança mais próxima ao evento, mísseis antiaéreos portáteis foram mobilizados. O equipamento é operado manualmente por militares, em terra. Um dos modelos é o míssil de ombro termal, guiado pela temperatura emitida pela aeronave alvo. O outro modelo é o míssil guiado por laser, que mira o alvo.

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.