Em 8 meses, Lula só apareceu publicamente duas vezes e recebeu centenas de visitas

Petista foi candidato e dirigiu o partido, mas só saiu da PF para depoimento em novembro

Chegada de Lula à Superintendência da PF em Curitiba, em abril
Chegada de Lula à Superintendência da PF em Curitiba, em abril - Eduardo Anizelli - 7.abr.2018/Folhapress
Felipe Bächtold
São Paulo

Desde que foi preso no dia 7 de abril, o ex-presidente Lula foi candidato a presidente, deu ordens para a direção do PT e recebeu centenas de visitas, mas só apareceu publicamente em duas ocasiões, em depoimentos à Justiça.

A última delas foi no dia 14 de novembro, quando prestou depoimento à juíza Gabriela Hardt na ação penal sobre o sítio de Atibaia (SP). Foi a única vez em que saiu da sede da PF em Curitiba, para onde foi levado de helicóptero oito meses atrás.

A outra aparição foi em junho, quando foi ouvido por videoconferência, como testemunha, em um processo contra o ex-governador Sérgio Cabral, no Rio.

Ainda assim, o período na cadeia tem sido bastante agitado: ele decidiu registrar candidatura à Presidência em agosto, apesar de ser condenado em segunda instância, e tentou levar adiante a campanha mesmo preso. A candidatura acabou barrada pelo Tribunal Superior Eleitoral no dia 31 de agosto. O então candidato petista a vice, Fernando Haddad, assumiu oficialmente a candidatura no dia 11 de setembro.

O domingo 8 de julho foi um dos dias mais tumultuados envolvendo o processo do ex-presidente. Um juiz plantonista do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, Rogério Favretto, decidiu soltá-lo por considerar que o petista estava tendo seus direitos de pré-candidato cerceados na prisão. 

A medida foi contestada, antes de ser concretizada, por Sergio Moro, então juiz da primeira instância, e pelo relator do caso na segunda instância, João Pedro Gebran Neto. Após horas de indefinição, o presidente da corte regional, Carlos Thompson Flores, decidiu contra o ex-presidente, que permaneceu detido.  

Desde os primeiros dias na cadeia, Lula e seus advogados se envolveram em diversos embates jurídicos com a juíza Carolina Lebbos, responsável por administrar o dia a dia da pena. Visitas de amigos ao ex-presidente na PF do Paraná foram inicialmente barradas. Depois, a magistrada o autorizou a receber dois amigos por semana, às quintas-feiras. 

Políticos e apoiadores famosos formaram uma "fila" para visitá-lo, incluindo personalidades como Chico Buarque, o ex-presidente uruguaio Pepe Mujica e o ator americano Danny Glover.

Haddad se inscreveu como advogado do ex-presidente, o que facilitou o acesso à carceragem em Curitiba. As visitas causaram polêmica durante a campanha presidencial, e o ex-prefeito decidiu interromper os encontros no segundo turno, quando foi derrotado por Jair Bolsonaro (PSL).

Lula se manifestou publicamente em inúmeras cartas, divulgadas em seus perfis em redes sociais e até lidas em eventos do PT, como o lançamento de sua candidatura a presidente, na qual não compareceu, em agosto.

A presença dele na capital paranaense provocou a organização de um acampamento de apoiadores, logo no dia da prisão. A concentração, após ordem judicial, foi transferida para um local mais afastado do prédio da PF.

Carolina Lebbos também impediu o ex-presidente de conceder entrevistas na prisão. A Folha foi um dos veículos de imprensa que pediram para entrevistá-lo, solicitação que ainda não teve decisão final no Judiciário.

 
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