Em GO, Temer diz que fez 'governo vitorioso'

Presidente não fez menção à denúncia da PGR contra ele, nem sobre liminar de Marco Aurélio no STF

Cleomar Almeida
Goiânia

O presidente Michel Temer (MDB) afirmou nesta quarta-feira (19) que fez um “governo vitorioso”. “Graças a Deus, conseguimos levar um governo vitorioso, que teve a capacidade de enfrentar dificuldades e chegar até aqui”.

A declaração do presidente ocorreu durante visita dele ao evento de inauguração da primeira etapa do Hospital Municipal de Aparecida de Goiânia, na região metropolitana da capital, onde ele chegou às 18h15 desta quarta de helicóptero.

O presidente Michel Temer visita o ambulatório pediátrico no Hospital Municipal de Aparecida de Goiânia (GO)
O presidente Michel Temer visita o ambulatório pediátrico no Hospital Municipal de Aparecida de Goiânia (GO) - Alan Santos/Presidência da República

“Quero dizer, com muita satisfação, sobre alegria cívica que tenho de participar deste ato. Este trabalho é fruto de uma equipe, da equipe toda que esteve aqui e da equipe que esteve lá, no Congresso Nacional”, afirmou ele, referindo-se à inauguração da unidade de saúde e da interlocução junto ao governo federal em busca de recursos.

No início do evento, Temer e demais políticos presentes estenderam as mãos para “receber a graça” do arcebispo metropolitano de Goiânia, Dom Washington Cruz, que rezou a oração do Pai Nosso no local. “O Estado é laico, mas o povo é religioso”, disse o chefe da Cúria Metropolitana de Goiânia.

No evento, o presidente não concedeu entrevista a jornalistas nem fez qualquer menção à decisão liminar do ministro Marco Aurélio, do STF (Supremo Tribunal Federal), que, nesta quarta-feira, suspendeu a possibilidade de prender condenados em segunda instância antes do trânsito em julgado (o encerramento de todos os recursos junto às instâncias superiores). A liminar, no entanto, foi suspensa horas depois pelo presidente do Supremo, Dias Toffoli.

Temer também não falou no evento sobre a denúncia da PGR (Procuradoria-Geral da República) contra ele, no inquérito dos portos.

O ministro da Saúde, Gilberto Occhi, assinou duas portarias para liberação de recursos, que, segundo ele, somam R$ 72 milhões para o setor no município.

O ministro das Cidades, Alexandre Baldy, também esteve presente no evento, onde famílias receberam chaves de casas populares. Em todo o país, de acordo com ele, “mais de 10 mil casas do programa Minha Casa, Minha Vida” devem ser entregues ainda este mês.

No final da noite, na Fieg (Federação das Indústrias do Estado de Goiás), em Goiânia, Temer recebeu comenda de mérito industrial e deu sinais de como tem passado os seus últimos dias na Presidência da República. “No último mês de governo, não há homenagem, não há procura, o café esfria. Mas quero dizer, com muita franqueza, que esta homenagem mostra que meu café ainda está quente”, disse.

Na ocasião, o presidente comparou o desempenho de seu governo à atuação das indústrias no país. Ele contou que, em reuniões com representantes da CNI (Confederação Nacional da Indústria), passou a prestigiar o setor e a iniciativa privada.

“Ao prestigiar as indústrias, estávamos prestigiando a iniciativa privada, as duas forças produtivas de nosso país. De um lado, o empregador e, de outro, o trabalhador. Estas reuniões (com a CNI) foram extremamente férteis e a mim veio a convicção do quanto as federações da indústria fazem por nosso país”, afirmou Temer.

Temer disse que, ao assumir a Presidência, identificou que era preciso dialogar com o Congresso Nacional e, em segundo lugar, com a sociedade. Ele ressaltou que a interlocução com o Legislativo facilitou a aprovação de projetos de lei que estipularam o teto dos gastos públicos, a nova reforma trabalhista e a reforma do ensino médio. “O Congresso, fruto desse diálogo, estava apoiando o nosso governo. Tudo isso foi fruto de um diálogo muito intenso”, afirmou.

Segundo o presidente, o governo dele foi marcado pelo “diálogo” para enfrentar, conforme ressaltou, “uma oposição ferocíssima”. “As pessoas, muitas vezes, pensam que o presidente da República pode tudo. Não pode. Ele precisa ter uma equipe afinada pelo país”, asseverou. “Nesse período todo, salvo a greve dos caminhoneiros, houve um movimento político da oposição ferocíssima. Mas não paralisou o governo. Trabalhamos para pacificar o país”.

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