Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Pela primeira vez na República, ministério que toma posse excluirá Norte e Nordeste

No primeiro escalão, há 11 integrantes do Sudeste, 8 do Sul, 2 do Centro-Oeste e 1 colombiano

Thais Bilenky
Brasília

Jair Bolsonaro obteve 13 milhões de votos no Norte e Nordeste, mas, pela primeira vez na história da República, o presidente eleito tomará posse sem nenhum representante dessas regiões no primeiro escalão.

Dos 22 ministros anunciados, 8 são do Sul, além do vice, Hamilton Mourão. Outros 11 nasceram no Sudeste, 2 no Centro-Oeste e 1 é colombiano naturalizado brasileiro.

Bolsonaro reúne os 22 ministros do novo governo em primeira reunião
Bolsonaro durante reunião com seus ministros na última quarta-feira - Rafael Carvalho - 19.dez.2018/Governo de Transição

Damares Alves (Mulheres, Família e Direitos Humanos) é quem mais se aproxima de ter uma identificação com o Nordeste, onde passou parte da infância e da juventude. Também fez trabalhos sociais como pastora na região, mas é do Paraná.

A Folha levantou a composição ministerial dos governos republicanos brasileiros na Biblioteca da Presidência da República, considerando o local de nascimento dos presidentes, seus vices e os ministros que assumiram na posse. 

Presidente do PSL, o deputado federal pernambucano Luciano Bivar afirmou que não é a naturalidade da pessoa que garante a representatividade.

"Se fosse o caso de colocar 15 ministros sulistas, ele colocaria. Se fosse o caso de colocar 15 nordestinos, ele colocaria. Não há nenhuma discriminação com relação a região, etnia, gênero, nada disso. É uma questão eminentemente técnica", afirmou.

Desde 1889, quando a República foi proclamada, todos os governos tiveram representantes de alto escalão nascidos no Norte e Nordeste.

De 1985 para cá, nordestinos e nortistas foram protagonistas de todos os governos a começar pelo primeiro deles, o de José Sarney (1985-1990), natural de Pinheiro (MA). Ao assumir a Presidência, nomeou oito nordestinos em seu ministério. 

Depois, Fernando Collor (1990-1992), que, embora tenha feito sua história em Alagoas, nasceu no Rio, teve uma alagoana e um amazonense no primeiro escalão no dia inaugural do mandato.

Itamar Franco (1992-1995), estabelecido em Minas, nascido a bordo de um navio entre Rio e Salvador e registrado na capital baiana, colocou quatro nordestinos e um nortista na Esplanada --sem contar Ciro Gomes, que, a despeito da carreira no Ceará, nasceu em Pindamonhangaba (SP).

O carioca Fernando Henrique Cardoso (1995-2003) tinha pernambucanos na Vice-Presidência e em mais dois ministérios, além de um baiano e um acriano na Esplanada.

Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2011), nascido em Caetés (PE) e criado em São Paulo, tomou posse acompanhado de três ministros nordestinos e uma acriana. Sem falar em Ciro, de novo, Humberto Costa, que nasceu em Campinas, mas faz carreira em Pernambuco, e Jaques Wagner, carioca que vive na Bahia.

A mineira Dilma Rousseff (2011-2016) assumiu a Presidência com sete nordestinos na Esplanada, fora Orlando Silva, baiano de nascença, paulista de adoção.

O paulista Michel Temer, por sua vez, oficializou-se presidente com sete ministros nordestinos, mais Henrique Eduardo Alves, que embora potiguar por adoção, nasceu no Rio.

Na eleição presidencial, o Nordeste foi a única região do país em que Bolsonaro perdeu a eleição para Fernando Haddad (PT) no segundo turno, com 30% dos votos válidos contra 70%. 

Também foi a única região para onde o então candidato não pôde viajar na campanha, já que sua agenda foi cancelada depois de sofrer um atentado a faca em setembro.  

Ciente das dificuldades que teria nesse reduto petista, Bolsonaro passou a fazer sucessivos acenos aos eleitores nordestinos, um quarto do total nacional.

Lamentou a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, urgiu a conclusão da transposição do rio São Francisco, elogiou "a essência do povo nordestino, uma das principais belas formas da diversidade cultural do Brasil" e prometeu 13º salário para beneficiários do Bolsa Família.

Disse também que eliminaria o que chamou de coitadismo com que populações como a nordestina são tratadas por meio de políticas afirmativas.

Em seu programa de governo, pouco foi elaborado sobre a região. Mencionou-se que "com sol, vento e mão de obra, o Nordeste pode se tornar a base de uma nova matriz energética limpa, renovável e democrática".

Não há menção específica ao Norte, reservas indígenas, Amazônia ou extrativismo, temas que já na transição causam apreensão por declarações ambíguas de Bolsonaro. No Norte, a disputa presidencial foi acirrada, com vantagem para Bolsonaro (52% a 48%).

Distribuição de ministros e ministras por região

Sudeste: 11

Paulo Guedes Economia RJ
Marcelo Álvaro Antônio (PSL) Turismo MG
Bento Costa Lima Leite Minas e Energia RJ
Ricardo Salles (Novo) Meio Ambiente SP
André Luiz de Almeida Mendonça AGU SP
Gustavo Bebianno (PSL) Secretaria-geral RJ
Wagner Rosário CGU MG
Fernando Azevedo e Silva Defesa RJ
Marcos Pontes Ciência e Tecnologia SP
Roberto Campos Neto  Banco Central RJ
Tarcísio Gomes de Freitas Infraestrutura RJ

Sul: 8

Onyx Lorenzoni (DEM) Casa Civil RS
Sergio Moro Justiça PR
Augusto Heleno GSI PR
Ernesto Araújo  Relações Exteriores RS
Carlos Alberto dos Santos Cruz Secretaria de governo RS
Gustavo Canuto Desenvolvimento Regional PR
Osmar Terra (MDB) Cidadania RS
Damares Alves Mulheres, Família e Direitos Humanos PR

Centro-Oeste: 2

Luiz Henrique Mandetta (DEM) Saúde MS
Tereza Cristina (DEM) Agricultura MS

Naturalizado - 1

Ricardo Vélez Rodríguez  Educação Colômbia

Erramos: o texto foi alterado

Por um erro técnico, em versão anterior do texto, a tabela de ministros informava Ricardo Salles como ministro "Novo"; Ricardo Salles é ministro do Meio Ambiente.

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