Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Renan está queimando a largada, diz Flávio Bolsonaro

Em visita ao Senado, filho do presidente eleito disse ainda que não é razoável criar arapucas para o próximo governo

Daniel Carvalho
Brasília

Em sua primeira visita como senador eleito a uma sessão da Casa em que trabalhará a partir de 2019, Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) criticou o senador Renan Calheiros (MDB-AL), afirmando que seu futuro colega está queimando a largada na corrida pela presidência do Senado e que ele não representa a nova forma de fazer política que seu pai, o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), quer implementar.

"Tenho falado do Renan porque é o único nome que já está colocado de fato, é o que está se articulando, é o que está negociando, está assediando alguns senadores recém-eleitos que ele nem conhece ainda. Acho que ele está queimando a largada, mas é uma pessoa que certamente não representa isso, essa nova forma de fazer política. Respeito seu mandato, é um senador eleito, pretendo conversar com ele, converso com todos, mas para apoiar numa candidatura à presidência (do Senado) certamente não vai contar com o meu apoio", afirmou Flávio nesta terça-feira (4), depois de cumprimentar senadores que estavam no plenário da Casa.

O senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ)
O senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) - Filipe Cordon - 25.out.2018/Folhapress

Apesar de ter afirmado que seu pai não interferirá nas eleições para o comando do Legislativo, Flávio disse que o governo apoiará um nome de consenso para a presidência do Senado.

"Temos que buscar um nome que seja um consenso dessa nova safra de senadores que está chegando, bem como que possa fazer um trabalho no Senado com aqueles que já estão aqui, que vai ser um terço que não participou das eleições deste ano, para que eles possam representar, de uma forma mais firme, presente e objetiva os seus estados. O governo vai estar aberto para qualquer demanda republicana e eu vou estar junto do líder do governo que for escolhido nesse cenário para auxiliar, para articular também, o resgate da legitimidade do Senado", disse o filho de Bolsonaro.

Flávio descartou ser líder do governo a partir de 2019, mas disse que trabalhará em parceria com o escolhido.

"Desde o primeiro momento, coloquei que não achava que era o caso de ser líder do governo, essa é uma função que tem que ser exercida por alguém que conheça melhor a Casa. Eu estou chegando agora. Mas certamente, por ser um senador e ter acesso direto ao presidente [Jair Bolsonaro], aos ministros, eu vou estar junto com esse líder do governo que for escolhido no consenso para levar as demandas legítimas dos senadores a quem possa resolvê-las."

Flávio Bolsonaro também criticou qualquer possibilidade de aprovação de pautas-bombas neste ano com efeitos a partir do ano que vem.

"Nosso governo começa em janeiro do ano que vem. Os senadores têm plena consciência do que é razoável e do que não é razoável fazer. Criar despesas bilionárias eu tenho certeza que qualquer cidadão comum, não precisa ser senador, que não é o caso de fazer nesse momento. E nem criar arapucas e armadilhas com o único intuito de criar alguma resistência que possa sugerir no próximo governo uma negociação não-republicana. Não é a nossa forma de fazer política, não será desse jeito", disse o senador eleito.

Flávio disse que pretende manter diálogo com todos os partidos, inclusive os de oposição, inclusive com o bloco que está sendo articulado pelo PDT.

"Pretendo ter diálogo e acredito que esta formação de bloco de oposição se dá motivada por uma desconfiança desta abertura do governo a demandas legítimas do Parlamento. Com o passar do tempo, vamos trabalhar isso, vamos articular. A gente só quer acertar. Está todo mundo no mesmo barco. Fazer oposição por ser oposição apenas, --não é o caso deste bloco, ao menos na palavras-- se eles prejudicarem o governo, vão estar se prejudicando", afirmou.

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