A gente não pode pensar em 2022 com imediatismo, diz governador de Pernambuco

Paulo Câmara tem agido para que o PSB apoie reeleição de Rodrigo Maia

João Valadares
Recife

Reeleito em primeiro turno para o segundo mandato, o governador de Pernambuco e vice-presidente nacional do PSB, Paulo Câmara, já pediu uma audiência com o presidente Jair Bolsonaro (PSL). Ainda não obteve resposta. 

Entrevista com o governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB) - Dayvison Nunes/Folhapress

O governador elogiou Rodrigo Maia (DEM-RJ), que tentará a reeleição à Presidência da Câmara em fevereiro, e disse que a oposição não pode agir com imediatismo em relação a 2022. "Isso tem que ser construído ao longo dos próximos anos." 

 

O sr. tem elogiado bastante Rodrigo Maia, mas o seu partido ainda não tomou uma posição. O sr. trabalha dentro do PSB para o apoio a Maia? Estou buscando o equilíbrio  nessas questões porque a gente sabe que, lógico que os partidos participam, mas o ambiente interno é que faz a diferença. O deputado segue a orientação partidária, mas tem suas razões internas para ter um ou outro tipo de opinião. 

Desde o início, a gente buscou o entendimento da bancada. Que ela possa, dentro dos 32 membros, sair com uma posição que seja uniforme. Havia uma expectativa do PSB, desde o final das eleições, de fazer um bloco junto com o PDT e com PC do B. Esse bloco chegou a ser anunciado.

Posteriormente também e depois as conversas com o PT continuam. O que tenho colocado muito claramente é que eu não coloco objeção a Rodrigo Maia porque ele foi um presidente que sempre foi muito atento com Pernambuco, atencioso com os governadores do Nordeste, atencioso com os pleitos.

O sr. apoiou, no segundo turno de 2014, Aécio Neves e também o impeachment de Dilma. Hoje, o PSB faz um retorno à esquerda. Qual é a dificuldade de apoiar um nome da esquerda na Câmara? Porque não tem um nome colocado.

Tem o Marcelo Freixo [PSOL]. PSOL, né? É da esquerda. Mas é um bloco que tem conversado pouco. O pessoal, que eu saiba, não procurou o PSB para conversar.

Qual a dificuldade de o PT participar desse bloco de oposição? Entendo que isso tem que ser bem discutido. A gente sempre sentou na mesa com o PT e vamos continuar sentando com as pessoas, com os deputados, com a presidente Gleisi, com o próprio Fernando Haddad que hoje é uma expressão maior do PT.

Isso é uma construção. A gente não pode pensar em 2022 com imediatismo. Isso tem que ser construído ao longo dos próximos anos.

Após as eleições o sr. extinguiu o Decasp, um órgão que combatia a corrupção. Por que descontinuar uma delegacia que estava dando resultados positivos? A SDS [Secretaria de Defesa Social] é comandada por um delegado da PF, o seu adjunto é um delegado da PF e a corregedora é uma delegada da PF. Três pessoas renomadas. Quando chegaram aqui, tiveram carta branca para pensar formas de atuação na segurança pública e o resultado a gente está vendo aí. 

Uma dessas formas é a criação de um departamento de combate à corrupção nos mesmos moldes da PF. Isso nos foi apresentado durante a campanha e divulguei como uma ação importante. Hoje, temos duas delegacias de combate à corrupção dentro de um departamento que conversa com tudo. A Draco já faz mais operações e mais inquéritos do que a antiga Decasp. 

Por que não manteve a delegada que já estava à frente das investigações? Foi uma opção da Polícia Civil. Quem indica delegado não é o governador. Quem indica delegado é o chefe de Polícia Civil. Sempre mantive isso muito claro. Pode olhar nos meus quatro anos de governo se Paulo Câmara indicou algum delegado. Não indiquei e nem vou indicar. 

O sr. é investigado em relação à Arena Pernambuco. Segundo a PF e auditoria do TCE [Tribunal de Contas do Estado], houve superfaturamento de R$ 80 milhões. Fui membro do comitê gestor [da Arena] de 2008 a 2009, como secretário de Administração. O comitê tinha oito pessoas. Todos os atos desse comitê são respaldados por documentos da Controladoria e Procuradoria-Geral do Estado. 

Em 2010, o contrato foi assinado. Já não era membro, mas acompanhei como secretário de Turismo o contrato. Em 2011, o conselho do TCE, que não é relatório técnico, julgou todos os atos desse comitê e aprovou. Após isso, é a execução da obra. Esse relatório em nenhum momento invalida aquela decisão e nem vai invalidar. Aquela decisão é totalmente correta e feita pela competência dos conselheiros que aprovaram aquelas contas. Então, estou muito tranquilo. É uma questão política. 

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