Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Bolsonaro inaugura mandato de mudanças e renova esperança, diz Dodge

Procuradora-geral da República afirmou também que renovação de mandatos reacende a esperança no fortalecimento do regime de leis

Daniel Carvalho
Brasília

Em cerimônia de posse de novos procuradores nesta sexta-feira (11), a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, disse que o presidente Jair Bolsonaro inaugura um mandato de mudanças e renova a esperança dos brasileiros.

Dodge saudou Bolsonaro, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Dias Toffoli, afirmando que era a primeira vez que os presidentes de cada Casa compareciam a uma posse de procuradores da República.

O presidente Jair Bolsonaro e a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, durante solenidade de posse dos novos procuradores do Ministério Público
O presidente Jair Bolsonaro e a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, durante solenidade de posse dos novos procuradores do Ministério Público - Pedro Ladeira/Folhapress

“Esta presença inédita é um sinal grandiloquente de que a Casa [PGR] é reconhecida de fato e verdadeiramente como instituição de promoção de justiça pelos Poderes da República, como quis a Constituição de 1988”, disse Dodge.

Logo em seguida, ela se dirigiu a Bolsonaro dizendo-se sensibilizada.

“Agradeço, por isso, sensibilizada e muito especialmente a vossa excelência, presidente Jair Bolsonaro, que recém-eleito inaugura um mandato de mudanças sob a égide da Constituição e renova a esperança dos brasileiros de que a vida cotidiana seja melhor para todos, calcada em valores constitucionais caros aos brasileiros”, afirmou a procuradora-geral da República.

O presidente da República não ficou até o final da cerimônia e, ao ser anunciada sua saída, houve gritos de “mito” na plateia formada por familiares dos novos procuradores.

O clima entre Dodge e Bolsonaro é bem diferente daquele que havia em abril de 2018, quando a procuradora-geral da República denunciou o então deputado pelo crime de racismo contra quilombolas, indígenas, refugidos, mulheres e LGBTs.

Àquela época, Dodge afirmou que durante palestra no Clube Hebraica do Rio de Janeiro, em abril do ano passado, em pouco mais de uma hora de discurso, "Jair Bolsonaro usou expressões de cunho discriminatório, incitando o ódio e atingindo diretamente vários grupos sociais”.

Em entrevista no mesmo mês, Bolsonaro  insinuou que a procuradora poderia ser contra a candidatura dele.

“Ela acha muito e não encontra nada. Ela teria que, primeiro, dizer para nós por que ela entrou com uma ação no Supremo Tribunal Federal para acabar com o voto impresso. Ela confia no voto eletrônico ou ela faz parte do mecanismo, do sistema que interessa qualquer um se eleger em 2018, menos Jair Bolsonaro?”, indagou o deputado à época.

Em setembro do ano passado, por 3 votos a 2, a Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) rejeitou a denúncia.

De volta ao discurso desta noite, Dodge disse que, a cada renovação de mandatos por meio eleições, reacende-se a esperança no fortalecimento do regime de leis.

Única autoridade a discursar, Dodge afirmou ainda que “é preciso defender, proteger e aplicar a Constituição tanto nas situações mais simples, entre os indivíduos, como também no trato das pessoas com o Estado, na proteção da democracia, do bem comum e do patrimônio público”.

A titular da PGR fez uma contundente defesa do combate à corrupção.

“O Brasil tem sede de Justiça. A promessa de bem estar e de felicidade para todos tem sido adiada pela injustiça contra muitos. Injustiça que decorre da corrupção de verbas públicas e adia o financiamento de serviços de educação e saúde, o acesso à casa própria e à alimentação adequada.”

Dodge afirmou que “um sistema de privilégios para poucos tem dificultado o acesso a bens fundamentais e esmaecido a compreensão de que o principal mandamento constitucional é de que todos sejam tratados de modo igual perante a lei: que ninguém seja esquecido e que os infratores sejam punidos de modo igual”.

Ainda no discurso anticorrupção, a procuradora-geral disse que o Estado deve adotar medidas preventivas.

“O Estado que arrecada tributos, deve adotar medidas que impeçam a corrupção de verbas públicas, porque elas são necessárias para financiar serviços que atendam o bem comum. Não pode admitir que a ação do crime organizado dilapide o patrimônio, dissimule a apropriação privada da coisa pública e esgarce o tecido social pela perda de confiança nas instituições”, afirmou.

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