Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Bolsonaro passa virada com família e sem agito na porta

Comemoração reuniu cerca de 30 pessoas na Granja do Torto, sem apoiadores do lado de fora

O deputado estadual eleito pelo PSL de São Paulo, Gil Diniz, chega a residência da Granja do Torto, em Brasília
O deputado estadual eleito pelo PSL de São Paulo, Gil Diniz, chega a residência da Granja do Torto, em Brasília - Walterson Rosa/Folhapress
Joelmir Tavares
Brasília

A chuva afastou os últimos apoiadores que passaram o dia 31 de dezembro à espera de Jair Bolsonaro e deixou um vazio na entrada da Granja do Torto, onde o presidente eleito passou a virada do ano. Só alguns apareceram à noite, mas não ficaram.

Dentro da residência oficial, em Brasília, Bolsonaro estava reunido com familiares e amigos para celebrar o Réveillon. Além da mulher e dos filhos, a mãe dele, Olinda Bonturi Bolsonaro, e irmãos se hospedaram no local.

Ao longo do dia que antecedeu a posse, cerca de cem eleitores se concentraram na área externa da residência. À noite, com a chuva que ia e voltava, o cenário mudou: dois grupos pequenos circularam pelo lugar antes da virada, mas não permaneceram.

“Queríamos ver o Bolsonaro, mas já vi que vai ser impossível. Vamos para o [estádio Mané] Garrincha”, disse a comerciante Zirene Brasil, 50, que saiu de Garanhuns (PE) para acompanhar a posse.

Zirene, que chegou com mais quatro pessoas, contava que rodou a cidade toda para comprar ceia e levar para o Torto. Com o clima de desânimo na portaria, preferiu guardar a tábua de frios e as bebidas achadas em uma padaria para consumir no estádio, onde ocorria uma festa de Réveillon.

Fogos puderam ser ouvidos na região da Granja do Torto durante a noite. Alguns carros entraram com convidados, outros saíram, mas não foi possível enxergar os ocupantes —a maioria estava com vidros fechados. 

“Show de bola”, disse a professora Angela Mariano Julião ao descrever a festa com o presidente eleito. Ela, que foi uma das poucas convidadas a falar com os jornalistas, saiu de carro cedo, por volta das 22h30, com pressa para não se atrasar para o culto. 

Angela é intérprete de Libras (a Língua Brasileira de Sinais) e atuou nas transmissões da campanha na internet, traduzindo discursos do então candidato.

O deputado estadual eleito Gil Diniz (PSL-SP), outro convidado, disse que o evento foi restrito a cerca de 30 pessoas e não teve a presença de futuros ministros. “Tinha gente de Libras, gente da igreja.”

“O Jair é uma pessoa simples. Então foi uma comemoração tranquila, como é na casa de qualquer família”, afirmou ele, que é ex-assessor do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), um dos filhos do presidente eleito.

Segundo Diniz, mais conhecido por ter criado nas redes sociais o personagem Carteiro Reaça, a TV do Torto exibia as queimas de fogos pelo país. “O Jair já foi descansar”, disse ele ao deixar a residência, por volta da 1h.

Namorada de Eduardo Bolsonaro, a psicóloga Heloísa Wolf compartilhou em uma rede social foto ao lado do deputado durante a festa —ela de vestido branco, ele de camiseta cinza, ambos com taças na mão.

Na legenda, Heloísa escreveu que esta virada de ano é diferente porque “significa muito mais” para milhões de brasileiros. 

“Vencemos muitas mentiras e ódio gratuito, seguimos vencendo a intolerância e a maldade, que em certo ponto se transformou em um atentado à vida”, afirmou ela, citando o ataque a faca a Bolsonaro durante a campanha.

Ao longo da segunda-feira (31), a movimentação diurna de apoiadores do lado de fora do Torto teve como ponto alto a aparição de Renato Bolsonaro, irmão do presidente eleito. Ele tirou fotos e conversou com apoiadores.

Nesta terça-feira, o evento da posse está marcado para começar às 14h45, na Catedral de Brasília. De lá, Bolsonaro deve desfilar ao lado da futura primeira-dama, Michelle Bolsonaro, em um veículo que vai levá-lo até o Congresso Nacional para ser empossado.

Na sequência, ele seguirá para o Planalto e, à noite, participará um coquetel no Palácio do Itamaraty.

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