Com maior bancada, PSL terá de 'engolir' PT na presidência da Assembleia do Rio

Deputado André Ceciliano deve ser eleito sábado para o comado da Casa

Rio de Janeiro

Reduto eleitoral da família Bolsonaro, o Rio de Janeiro elegeu 12 deputados estaduais do PSL, a maior bancada da Legislatura fluminense que começa nesta sexta-feira (1).

Mesmo com a força das urnas, o partido do presidente Jair Bolsonaro ficará de fora da Mesa Diretora da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) e assiste à confirmação da eleição de um deputado petista para a presidência da Casa, André Ceciliano (PT).

Comandado pelo deputado estadual e agora senador eleito Flávio Bolsonaro, o PSL do Rio buscou duas alternativas antes de se ver no dilema entre marcar posição com uma candidatura própria ou apenas se abster na disputa e conseguir espaço maior nas comissões da Casa.

Logo após a eleição, a sigla caminhava para um acordo com o deputado estadual reeleito André Corrêa (DEM). A Operação Furna da Onça impediu os planos do parlamentar, preso desde novembro sob acusação de receber propina do esquema do ex-governador Sérgio Cabral (MDB).

A alternativa do PSL foi estimular a candidatura de Márcio Pacheco (PSC), um dos dois deputados da sigla do governador Wilson Witzel (PSC). Segundo informações do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), ligado ao Ministério da Justiça,  funcionários do gabinete do deputado fizeram movimentações atípicas de R$ 25,3 milhões, o que fragilizou a pré-candidatura calcada no discurso de moralidade.

​Pacheco decidiu apoiar o petista Ceciliano em troca da presidência da Comissão de Constituição e Justiça, uma das mais importantes da Alerj, por onde passam todos os projetos de lei.

Já o deputado do PT, em seu terceiro mandato, angariou apoio dos parlamentares reeleitos incomodados com o que chamam de “sapato alto” dos deputados do PSL. “Os deputados do PSL vieram com muita força. Isso fez com que ficassem isolados num primeiro momento. Conseguimos assim formar uma frente ampla”, disse Ceciliano.

Eleito com o maior número de votos da Alerj, Rodrigo Amorim, braço-direito de Flávio Bolsonaro no Rio de Janeiro, chegou a dizer que “a Alerj não pode ser a última morada do PT” após a derrota presidencial.

O deputado estadual eleito Alexandre Knoploch tentou participar de reunião de líderes da atual Legislatura para discutir a prorrogação do decreto de calamidade financeira do estado. Após as primeiras intervenções, foi convidado pelos deputados a se retirar.

O PSL também almejava tirar das mãos do PSOL a Comissão de Direitos Humanos –promessa feita pelo deputado reeleito André Corrêa (DEM). Ceciliano articulou a permanência da sigla no posto, antes ocupado por Marcelo Freixo (PSOL), eleito deputado federal.

Agora, Rodrigo Amorim tem interesse em presidir a Comissão de Orçamento. O pleito só entrará em negociação se o PSL ao menos se abstiver na votação, que ocorre neste sábado (2).

Alguns nomes do PSL ainda cogitam lançar uma candidatura avulsa. Contudo o regimento interno exige a apresentação de uma chapa completa com 13 nomes. Além de não ter o total exigido, o partido de Bolsonaro sofre com a fragmentação, sem encontrar um nome que una os deputados.

A tendência é que Ceciliano assuma a cadeira cujos três últimos antecessores eleitos estão presos: Jorge Picciani (domiciliar), Paulo Melo e Sérgio Cabral. O petista está na presidência interina da Casa desde o ano passado, após a prisão de Picciani.

A Alerj encerra uma Legislatura em que teve dez deputados presos nas operações Cadeia Velha e Furna da Onça. Destes, cinco foram reeleitos e tentam na Justiça o direito de tomar posse, embora presos. A intenção é que possam ir ao plenário participar da posse e voltar para o cadeia ou casa, nos casos de prisão domiciliar.

Os escândalos, contudo, podem não ter acabado, mesmo com a renovação de mais da metade da Assembleia. Relatório do Coaf apontou movimentações atípicas no gabinete de 20 deputados. O Ministério Público estadual apura a prática da chamada "rachadinha" --quando servidores são obrigados a devolver parte do salário ao parlamentar.

No comando da Casa, Ceciliano também é alvo da investigação. Foram no total R$ 49,3 milhões de movimentação atípica de seus funcionários.

“Investigação é boa que aconteça. Os funcionários vão dar as explicações. Estou muito tranquilo quanto a isso. Não existe rachadinha no meu gabinete. Isso não pode acontecer”, disse o petista.

Ceciliano afirmou também que não será um empecilho para os projetos de Witzel na Alerj. No fim do governo Luiz Fernando Pezão (MDB), ele apoiou medidas criticadas pelo PT, o que provocou um afastamento da sigla por oito meses. “Serei presidente de um Poder. A vontade é de ajudar”, disse ele.

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