Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Flávio Bolsonaro acena a Renan e tenta desvincular seu caso ao governo do pai

'Está todo mundo vendo que eu sou vítima de perseguição', disse o senador

Daniel Carvalho Angela Boldrini
Brasília

Antes crítico à candidatura de Renan Calheiros (MDB-AL) à presidência do Senado, o senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), fragilizado, mudou de postura e disse que todos os candidatos têm sintonia com a pauta do governo de seu pai, Jair Bolsonaro.

Ele também procurou afastar a crise envolvendo movimentações financeiras atípicas e funcionários de seu gabinete na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) do governo de seu pai.

“Não tem nada a ver com o governo. Por mais que vocês queiram, não tem nada a ver com o governo”, declarou.

O senador Flávio Bolsonaro é entrevistado por jornalistas no Congresso nesta quarta
O senador Flávio Bolsonaro é entrevistado por jornalistas no Congresso nesta quarta - Daniel Carvalho/ Folhapress

O senador afirmou ainda ser "vítima de perseguição" no caso que envolve seu ex-assessor Fabrício Queiroz, que teve identificada uma movimentação atípica de R$ 1,2 milhão. 

"Está todo mundo vendo que eu sou vítima de perseguição", afirmou ele ao ser questionado sobre as investigações durante visita à Câmara dos Deputados para registro biométrico, nesta quarta-feira (30).  Ele também fez uma rápida reunião na Liderança do Governo no Senado.​

Ele se recusou a responder perguntas sobre quando irá ao Ministério Público prestar esclarecimentos. "Já falei o que eu tinha de falar, não tenho novidade nenhuma", afirmou. 

Flávio, que foi ao STF (Supremo Tribunal Federal) para interromper investigação do Ministério Público do Rio a respeito, recebeu depósitos fracionados que totalizaram R$ 96 mil entre junho e julho de 2017, sem que houvesse a identificação da origem. 

O senador eleito tem negado irregularidades, diz que ele mesmo fez os depósitos e afirma que cabe a Queiroz, que o assessorava até outubro, dar as explicações sobre as movimentações atípicas.

Questionado sobre se o governo começava a nova legislatura desgastado com as investigações, disse que as investigações não tem nada a ver com o governo de seu pai. 

"Não tem nada a ver com o governo. Por mais que vocês queiram, não tem nada a ver com o governo. Estamos muito bem, obrigado. Estamos todos trabalhando bem, com liberdade", afirmou. 

Sobre as eleições ao comando do Senado, ele afirmou que espera que qualquer candidato seja alinhado com as pautas do governo.

"Qualquer candidato que chegue espero que seja alinhado com as pautas do governo, com a responsabilidade e pelo que eu saiba todos os nomes colocados estão nesta linha”, disse, quando perguntado se uma eventual vitória de Renan significaria uma derrota para o Palácio do Planalto.

A bandeira branca do filho de Bolsonaro foi levantada um dia depois que Renan se declarou publicamente favorável à agenda econômica do governo.

“O velho [Renan] era sobrevivente, mais estatizante. Este novo é mais liberal, está querendo fazer as reformas do Estado. Quero colaborar com este momento excepcional que o Brasil está vivendo e fazer as mudanças e reformas”, disse o alagoano na terça-feira (29).

Renan já havia acenado diretamente a Flávio há duas semanas, quando, em entrevista à Folha, disse que o senador eleito não deveria ser investigado pelo Senado.

“Ele não pode ser investigado nem no Rio de Janeiro nem no Senado. A investigação no Senado só acontece em circunstâncias especialíssimas. Temos com relação a ele as melhores expectativas, de que é um moço que quer trabalhar, que quer fazer um bom mandato, que tem posições e defende-as. O que nós queremos é o melhor dele neste momento complexo da vida nacional. A expectativa que nós temos é a melhor possível”, disse Renan em 18 de janeiro.

Questionado sobre que leitura fazia deste aceno, Flávio minimizou o afago.

“Não tem nada demais, é a opinião dele. Como qualquer senador, respeita qualquer senador”, afirmou.

Sobre a tentativa do ministro Onyx Lorenzoni (Casa Civil) de interferir na disputa do MDB para ajudar seu correligionário, Davi Alcolubmre (DEM-AP) na disputa pela presidência do Senado, Flávio adotou o discurso oficial do Planalto.

"A orientação do presidente é não interferir", afirmou.

Adiante, ao ser questionado se Onyx havia descumprido uma ordem, ele se esquivou. "Eu não acompanhei. Da minha parte aqui é não interferir." ​
 

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