Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Flávio Bolsonaro não comparece a depoimento no Ministério Público

Senador eleito publicou mensagem em rede social dizendo que ainda vai ler íntegra do inquérito

Flávio Bolsonaro com Jair Bolsonaro antes da posse
Flávio Bolsonaro com Jair Bolsonaro antes da posse - Adriano Machado - 27.nov.18/Reuters
Ana Luiza Albuquerque
Rio de Janeiro

O senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) não compareceu nesta quinta-feira (10) para prestar depoimento ao MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro). Ele foi convidado para falar sobre o caso de seu ex-assessor Fabrício Queiroz, que teve movimentações financeiras atípicas identificadas em relatório do Coaf.

Com prerrogativa parlamentar, o filho de Jair Bolsonaro não estava obrigado a comparecer ao órgão nesta quinta, tendo o direito de reagendar o depoimento.

Nas redes sociais, o senador eleito se comprometeu a agendar novo dia e horário para prestar esclarecimentos. Testemunha no caso, ele defendeu que não é investigado. 

Flávio Bolsonaro também disse que ainda não teve acesso aos autos e que só foi notificado do convite do órgão na segunda-feira (7). O Ministério Público, no entanto, afirmou que o procurador-geral de Justiça encaminhou ofício à Presidência da Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio) no dia 21 de dezembro. 

"No intuito de melhor ajudar a esclarecer os fatos, pedi agora uma cópia do mesmo para que eu tome ciência de seu inteiro teor", escreveu Flávio.

Em nota, o órgão confirmou que o senador eleito pediu cópia integral da investigação e reafirmou que segue com a realização de diligências de natureza sigilosa. 

O artigo 221 do Código de Processo Penal prevê que os parlamentares e os juízes devem ajustar previamente o local, dia e hora para a coleta de depoimentos.

Por enquanto, o caso não resultou no oferecimento de denúncia ou abertura de ação penal --o Ministério Público ainda está em fase de investigação.

A reportagem questionou a assessoria do Ministério Público sobre qual seria o posicionamento do órgão caso o senador eleito não comparecesse para depor novamente, mas não obteve resposta. O MP-RJ tem evitado responder perguntas dos jornalistas e se comunicado sobre o caso apenas por meio de notas.

Na terça (8), familiares de Queiroz também faltaram a oitiva no Ministério Público. Suas filhas, Nathalia e Evelyn, e a mulher, Marcia Aguiar, alegaram que estão em São Paulo acompanhando o ex-assessor em tratamento de um câncer intestinal.

Em petição, a defesa de Queiroz informou ao órgão que ele estava internado no Hospital Albert Einstein. Ele teve alta na própria terça, após dar entrada no dia 30 de dezembro e passar por cirurgia no dia 1°. Segundo seu advogado, Paulo Klein, a internação foi custeada pelo ex-assessor, que apresentará os recibos.

A defesa pediu que os depoimentos sejam marcados para o fim do tratamento, sem previsão de data. Queiroz já faltou a dois encontros com o Ministério Público em função da saúde. Em junho do ano passado, o STF (Supremo Tribunal Federal) proibiu a condução coercitiva de investigados ou réus para interrogatório, prática até então comum na Operação Lava Jato.

Em nota, o MP-RJ disse que tem informações que permitem o prosseguimento das investigações, com a realização de outras diligências como quebra de sigilo bancário e fiscal.

RELEMBRE O CASO

Relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) identificou que Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, movimentou R$ 1,2 milhão entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017.

Segundo o Coaf, as transações são "incompatíveis com o patrimônio, a atividade econômica ou ocupação profissional" do ex-assessor.

Em 2016, Queiroz fez 176 saques em espécie. O policial chegou a realizar cinco saques no mesmo dia, somando mais de R$ 18 mil. No total, as retiradas chegaram a mais de R$ 300 mil.

Oito funcionários ou ex-funcionários do gabinete de Flávio Bolsonaro realizaram repasses para Queiroz. Sua mulher e duas filhas são citadas no relatório.

O nome de uma delas, Nathalia, aparece no documento ao lado do valor de R$ 84 mil, mas não há detalhes sobre estes repasses.

Nathalia trabalhou como assessora de Flávio e, posteriormente, no gabinete de Jair Bolsonaro na Câmara. Conforme revelou a Folha, ela atuava como personal trainer no Rio no mesmo período.

Em entrevista ao jornal SBT Brasil, Queiroz disse que parte da movimentação atípica veio da compra e venda de carros e negou ser laranja de Flávio Bolsonaro.

A família Bolsonaro tem evitado dar explicações sobre o assunto, afirmando que cabe ao ex-assessor esclarecer os fatos.

 
 
 
 
 
 
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