Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Relembre as investigações envolvendo filhos de presidentes da República

Poucos chefes do Executivo escaparam de polêmicas envolvendo sua prole

São Paulo

Jair Bolsonaro não é o primeiro presidente da República com um filho envolvido em investigações de procuradores ou da Polícia Federal.

O senador eleito Flávio Bolsonaro e o pai, o presidente da República Jair Bolsonaro
O senador eleito Flávio Bolsonaro e o pai, o presidente da República Jair Bolsonaro - Reuters

De José Sarney a Michel Temer, passando por Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso, poucos chefes do Executivo escaparam de acusações às suas proles, como apurações do Ministério Público, citações em delações premiadas, esquemas fraudulentos de isenções fiscais e indícios de recebimento de propinas.


Relembre abaixo alguns dos principais casos.
 

 


JOSÉ SARNEY

Roseana Sarney

Ex-governadora do Maranhão, Roseana Sarney foi denunciada em 2016 pelo Ministério Público do Estado por um suposto esquema de insenções fiscais concedidas pela Secretaria de Estado da Fazenda a empresas de forma fraudulenta, o que teria causado prejuízo de R$ 410 milhões aos cofres públicos. Em 2014, Meire Poza, ex-contadora do doleiro Alberto Youssef, investigado na Operação Lava Jato, afirmou que uma empreiteira pediu que o doleiro subornasse o governo do Maranhão para a empresa furar a fila em pagamentos judiciais. Roseana nega as acusações. 

José Sarney e Roseana Sarney durante convenção nacional do PMDB
José Sarney e Roseana Sarney durante convenção nacional do PMDB - Alan Marques/ Folhapress

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO

Paulo Henrique Cardoso

Em 2016, em delação premiada, o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró afirmou que a presidência da Petrobras durante o governo Fernando Henrique Cardoso lhe orientou que fechasse contrato com uma empresa ligada ao filho de FHC, Paulo Henrique Cardoso. Segundo ele, o caso ocorreu entre os anos de 1999 e 2000, quando era subordinado ao ex-senador Delcídio do Amaral (ex-PT-MS) na diretoria de Gás e Energia da Petrobras. Paulo Henrique nega as acusações de influência na estatal.

LUÍS INÁCIO LULA DA SILVA

Luís Cláudio da Silva

Filho caçula do ex-presidente, Luís Cláudio é dono da LFT Marketing Esportivo, empresa que foi investigada na Operação Zelotes. A partir de 2014, a LFT recebeu R$ 2,5 milhões do lobista Mauro Marcondes Machado, que representava as montadoras Caoa (Hyundai) e MMC Automotores (Mitsubishi) perante o governo e o Congresso. O ex-ministro Antonio Palocci (Fazenda e Casa Civil) afirmou, em delação premiada, que Lula disse ter acertado os repasses com Machado em troca de uma medida provisória, o que Luís Cláudio nega.


Fábio Luís da Silva

Filho mais velho de Lula, Fábio Luís, conhecido como Lulinha, é um dos sócios da Gamecorp, empresa de games que recebeu pelo menos R$ 82 milhões em investimentos da Oi. A aplicação desses recursos foi investigada na Operação Lava Jato, já que ocorreu numa época em que a operadora acumulava prejuízo e a empresa de Lulinha não dava retorno. Lulinha nega qualquer irregularidade nesses investimentos.

Fábio Luís da Silva, o Lulinha, durante visita à base brasileira na Antártida em 2008
Fábio Luís da Silva, o Lulinha, durante visita à base brasileira na Antártida - Sérgio Lima/ Folhapress

MICHEL TEMER

Maristela Temer

No relatório final sobre corrupção no setor portuário, a Polícia Federal afirmou que havia “indícios concretos” de que dinheiro de propina da JBS a Michel Temer pagou a reforma da casa de uma de suas filhas, Maristela Temer. O emedebista, de acordo com a PF, teria acompanhado detalhes da obra, inclusive financeiros, contradizendo depoimentos da família. A reforma foi realizada entre 2013 e 2015 e, segundo a investigação, pode ter custado até R$ 2 milhões. Grande parte foi paga com dinheiro vivo. Temer e Maristela negam qualquer irregularidade.

Maristela Temer durante jantar para o ex-presidente Michel Temer
Maristela Temer durante jantar para o ex-presidente Michel Temer - Mastrangelo Reino/Folhapress

JAIR BOLSONARO

Flávio Bolsonaro

Um relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) mostrou que um assessor do então deputado estadual pelo Rio de Janeiro Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz, apresentou em sua conta movimentações de R$ 1,2 milhão, consideradas atípicas pelo órgão. Entre os repasses feitos pelo ex-assessor do senador está uma transferência de R$ 24 mil para a primeira-dama Michelle Bolsonaro. Senador eleito, Flávio argumentou em pedido ao STF (Supremo Tribunal Federal) que, embora não tenha tomado posse, já foi diplomado senador, o que lhe confere foro especial perante o tribunal. O ministro Luiz Fux suspendeu a investigação. A família Bolsonaro diz que cabe ao ex-assessor esclarecer os fatos. 

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