Sem consenso sobre candidato, oposição deve montar bloco pragmático na Câmara

PC do B, que seguirá apoiando Rodrigo Maia na presidência, sinalizou união com PT, PSOL, Rede e PSB

Angela Boldrini Marina Dias
Brasília

Após diversas tentativas de se unirem em torno de um projeto para a próxima legislatura na Câmara, os partidos de esquerda chegam à véspera da disputa enfraquecidos e sem candidato único, mas em um bloco pragmático para pleitear espaços na Casa.

 

Em reunião na noite desta quarta-feira (30), PT, PSB, PSOL, Rede e PC do B apontaram para a possibilidade de fechar um acordo simbólico, que marque posição frente ao governo Jair Bolsonaro, mas sem comprometimento com um candidato para chefiar a Câmara.

Plenário da Câmara dos Deputados durante sessão conjunta do Congresso Nacional. Casa escolhe novo presidente na sexta (1º)
Plenário da Câmara dos Deputados durante sessão conjunta do Congresso Nacional. Casa escolhe novo presidente na sexta (1º) - Roque de Sá - 18.dez.2018/Agência Senado

O PSB decidiu que levará como oficial na sexta-feira (1º) o nome de JHC (AL), que antes corria como avulso. O PSOL, que habitualmente tem candidato próprio, lançará Marcelo Freixo (RJ).

Já o PC do B mantém seu apoio à reeleição do presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), enquanto Rede e PT seguem sem definição de candidato —embora deputados estimem que cerca de metade da bancada petista deve votar em Maia, já que o pleito é secreto.

A formação do grupo deve ser confirmada nesta quinta-feira (31), após reuniões individuais das bancadas.

Se a composição se confirmar o bloco chega a 106 parlamentares, aumentando o espaço que cada partido terá em comissões.

Não está claro ainda se o número é suficiente para que a oposição consiga uma vaga como titular na Mesa Diretora.

Listas que têm circulado nos corredores do Congresso, porém, estimam que com o fechamento de um bloco com a presença do PC do B, seria possível arrebatar a quarta-secretaria, que cuida de imóveis funcionais e auxílio-moradia.

Segundo parlamentares ouvidos pela Folha, o movimento de aproximação do PC do B é importante por ajudar a segurar uma possível debandada dos partidos. Uma ala do PSB, por exemplo, defendia que o partido se unisse ao bloco de Maia.

Compareceram à reunião a presidente do PC do B, Luciana Santos (PE), e a deputada Jandira Feghali (RJ).

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