Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Sem febre, Bolsonaro se alimenta pela 1ª vez por via oral desde internação

Em recuperação, presidente tomou caldo de carne e comeu gelatina

Talita Fernandes
São Paulo

O presidente Jair Bolsonaro alimentou-se pela primeira vez por via oral desde que foi internado em 27 de janeiro, no Hospital Albert Einstein, em São Paulo.

Na noite de quinta-feira (7), ele ingeriu um caldo de carne e comeu gelatina nesta sexta (8). Ambos são considerados parte de uma dieta líquida pelos médicos. 

O presidente Jair Bolsonaro come gelatina no hospital
O presidente Jair Bolsonaro come gelatina no hospital - Reprodução/ Twitter
Este é o primeiro passo de reintrodução alimentar após a cirurgia para reconstrução do trânsito intestinal à qual ele foi submetido há 11 dias. Desde que foi internado, sua nutrição era feita por via endovenosa e nesta semana ele começou a beber água.

Gradativamente, a alimentação passa pelas etapas líquida, pastosa e sólida. A alta médica de pacientes submetidos a esse tipo de cirurgia normalmente só ocorre após a normalização de ingestão de comida e evacuação. 

Nas redes sociais, Bolsonaro comemorou o fato de ter voltado a se alimentar e brincou que não é ainda um pão com leite condensado, como ele costuma comer no café da manhã.

Ele divulgou uma foto na qual aparece sorrindo, ainda com uma sonda nasogástrica e fazendo um sinal de "joia" com o dedo. Em frente a ele, há uma bandeja com água e gelatina, do quarto do hospital.

“Nas últimas horas tive o prazer de voltar a comer. Ontem pela noite um caldo de carne e hoje uma boa gelatina. Estou feliz, apesar de não ser aquele pão com leite condensado kkkk. Bom dia a todos!”, escreveu. 

Assessores do presidente informaram que ele não voltou a ter febre e que dormiu bem à noite.

Boletim médico divulgado na quinta informou que o presidente está com pneumonia e que ele teve febre na quarta.

A retomada de alimentação e divulgação nas redes sociais ocorre um dia depois da descoberta de uma pneumonia, comunicada por meio de boletim médico divulgado de quinta, um dia depois de ele ter registrado febre de 38 graus.

A detecção de pneumonia levou à ampliação do tratamento com antibióticos, iniciado no domingo (3), quando houve detecção de febre pela primeira vez após a cirurgia.

A previsão de alta, inicialmente prevista para a última quarta, foi adiada e Bolsonaro terá de ficar internado pelo menos até o fim do tratamento com antibióticos, por mais seis dias.

Em entrevista na noite de quinta, o porta-voz do governo, general Otávio Rêgo Barros, disse que os médicos estão tratando paralelamente as recuperações da cirurgia em si e da pneumonia.

Com isso, ele explicou que a descoberta da infecção não mudaria a reintrodução alimentar de Bolsonaro, o que se confirmou com o início de ingestão de alimentos.

Segundo o general, o presidente ficou imediatamente triste quando soube da pneumonia, mas logo recuperou o ânimo.

Rêgo Barros afirmou que Bolsonaro estava com dificuldades para dormir e que os médicos já buscavam uma forma de auxiliá-lo no sono.

Apesar da restrição de visitas, o presidente recebeu o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, na tarde desta sexta.

O encontro não estava previsto na agenda das autoridades no início do dia, e foi incluído na agenda de Bolsonaro no início da tarde.

Freitas veio a São Paulo por volta de meio-dia, acompanhado do subchefe de Assuntos Jurídicos da Casa Civil, Jorge Oliveira.

O encontro foi decidido de última hora. Ele será o primeiro ministro a despachar presencialmente com o presidente desde a cirurgia.

O presidente Jair Bolsonaro se reúne com o ministro Tarcísio Gomes de Freitas (Infraestrutura) e o secretário-chefe da Casa Civil, Jorge Oliveira, no gabinete montado no Hospital Albert Einstein, em São Paulo
O presidente Jair Bolsonaro se reúne com o ministro Tarcísio Gomes de Freitas (Infraestrutura) e o secretário-chefe da Casa Civil, Jorge Oliveira, no gabinete montado no Hospital Albert Einstein, em São Paulo - Presidência da República - 8.fev.2019/Reuters

Apenas o chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), general Augusto Heleno, esteve com Bolsonaro no hospital, mas na véspera e no dia seguinte à cirurgia, quando o vice-presidente, Hamilton Mourão, estava como interino no cargo.

De acordo com o porta-voz da Presidência, os médicos estão de acordo com o compromisso do presidente, apesar da restrição de visitas.

A assessoria de imprensa do ministro informou que a agenda com o presidente foi decidida de última hora, e não soube detalhar o assunto que será tratado com Bolsonaro.

RELEMBRE O CASO DO PRESIDENTE

Bolsonaro foi submetido à cirurgia de reconstrução do trânsito intestinal e retirada de uma bolsa de colostomia no dia 28 de janeiro, segunda-feira passada.

Na ocasião, os médicos mudaram a técnica prevista inicialmente e tiveram que fazer um procedimento mais complexo do que era esperado.

Um trecho do intestino, que estava ligado à bolsa que recolhia as fezes havia quase cinco meses, foi retirada e descartada.

Com isso, decidiu-se ligar o intestino grosso ao delgado diretamente. Por esse motivo, o processo foi mais longo do que o esperado, e três a quatro horas, e durou sete. 

Essa foi a terceira operação pela qual ele passou desde que foi alvo de uma facada, em setembro de 2018, durante ato de campanha em Juiz de Fora (MG).

Nos primeiros dias seguintes à cirurgia, o presidente mostrou boa recuperação.

No último fim de semana, contudo, ele teve uma parada do intestino, além de ter náuseas e vômitos. Isso fez com que os médicos decidissem colocar uma sonda nasogástrica para a retirada de líquido acumulado no estômago, que provocava enjoo.

Um aumento de temperatura no domingo também fez com que os médicos iniciassem um tratamento de amplo espectro com antibióticos, o que provocou o primeiro adiamento da alta.

Isso ocorreu ao mesmo tempo em que foi descoberto um acúmulo de água na cavidade abdominal, exigindo a colocação de um dreno no local. 

A descoberta da pneumonia levou os médicos a ampliar a quantidade de antibióticos, exigindo um recomeço do tratamento que dura, no mínimo sete dias.

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.