Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Ministro nega distanciamento de Maia e afirma que buscará diálogo com MDB

Ele afirmou que o governo terá base para aprovar reformas constitucionais, prioritariamente a da Previdência

Brasília

Ministro-chefe da Casa Civil e patrocinador da candidatura vitoriosa de Davi Alcolumbre (DEM-AP) à presidência do Senado, Onyx Lorenzoni (DEM-RS) afirmou que, apesar da rixa com Renan Calheiros (MDB-AL), buscará diálogo com o MDB.

O ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, que foi o principal articulador da vitória de Davi Alcolumbre no Senado
O ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, que foi o principal articulador da vitória de Davi Alcolumbre no Senado - Pedro Ladeira - 23.jan.18/Folhapress

Provocado seguidamente pelo senador alagoano, que retirou a candidatura contra Davi na última hora, o ministro disse nesta segunda-feira (4) que não responderia.

“Ele [Renan] falou tudo o que tinha que falar, tentou me chamar para a briga, mas eu estou na paz, estou feliz e estou com Deus, e a resposta a gente deu na urna mesmo”, afirmou Onyx, após a abertura do ano legislativo no Congresso.

O ministro, porém, defendeu a necessidade de manter o canal aberto com o MDB, detentor da maior bancada no Senado, com 13 cadeiras.

“O MDB é importante para o Brasil há muitas décadas, é evidente que vamos buscar o diálogo”, disse. “É uma bancada grande e relevante para o país.”

Ele afirmou que o governo terá base para aprovar reformas constitucionais, prioritariamente a da Previdência.

“Tenho certeza de que o MDB na Câmara e no Senado sabe que tem uma missão, que é de todos nós, independentemente da nossa cor partidária ou política”, declarou. “O Brasil precisa ser resgatado.”

Davi foi eleito com 42 votos, sete a menos que o necessário para aprovações de emendas. Onyx contabilizou a favor do governo os de Esperidião Amin (PP-SC), que foram 13, e os de Ângelo Coronel (PSD-BA), outros 8.

“Se contarmos os votos de Davi e os de Esperidião Amin já chegamos em um número suficiente para transformar o Brasil. 

Se somar os do Ângelo Coronel [sic], são mais que suficientes para alterar a Constituição.”

Onyx negou que tenha relação distante com o presidente da Câmara reeleito na semana passada, Rodrigo Maia (DEM-RJ), contra quem ele trabalhou.

“Rodrigo Maia é meu amigo pessoal. Vou almoçar com ele amanhã”, disse.

Onyx comparou Davi ao presidente Jair Bolsonaro —dois candidatos em quem ele apostou quando ainda eram majoritariamente desacreditados. "O Brasil que veio das ruas é muito diferente daquele que antecedeu a eleição do ano passado. O presidente Jair Bolsonaro entendeu isso e conseguiu com princípios e valores em cada cantinho do Brasil".

“Davi Alcolumbre é o Jair do Senado, ou seja, era improvável e acabou vencedor porque teve humildade, é um grande articulador, um grande construtor de relações e fez aquilo que só ele teve coragem de fazer”, disse.

“Botou o peito na água no início de dezembro, foi a 19 estados, trabalhou incansavelmente 20 horas por dia e recebeu [apoio da maioria], quando sentou na cadeira na sexta-feira, apesar das agressões e virulência e violência”, prosseguiu.

Citando indiretamente a forma com que Renan se referia a seu aliado no Senado, Onyx afirmou que “Davi derrubou o Golias”, que queria “impedir que a voz das ruas chegasse ao Congresso Nacional”.

Quando perguntado sobre as duas investigações que pesam contra Davi, o ministro desconversou. 

“Gente, estamos falando da mensagem presidencial, de um novo momento que vive o Congresso Nacional. Cada um fala e escreve o que quer.”

PREVIDÊNCIA

Onyx negou que o governo vá propor uma idade única para homens e mulheres em sua reforma previdenciária. 

Disse que não há escala de prioridades entre projetos patrocinados pelo governo. Mas afirmou que o pacote anticrime apresentado pelo ministro da Justiça, Sergio Moro, “por ser projeto de lei tende a ter velocidade um pouquinho menor do que a proposta de emenda à Constituição da nova Previdência”.

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