Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

'Não tem como voltar atrás', diz Flávio Bolsonaro sobre votação aberta no Senado

Impasse sobre votação para presidente da Casa adiou eleição para sábado

Brasília

Filho do presidente Jair Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) disse nesta sexta (1) não ver a possibilidade de manter a eleição secreta para a presidência do Senado. "A Casa já decidiu, não tem como voltar atrás nessa questão do voto aberto", declarou.

Questionado sobre a possibilidade de o processo ser judicializado, o congressista afirmou que o próprio STF (Supremo Tribunal Federal) já sinalizou qual é o seu entendimento a respeito.

O senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) e o senador Major Olímpio (PSL-SP) durante solenidade de posse do Senado
O senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) e o senador Major Olímpio (PSL-SP) durante solenidade de posse do Senado - Pedro Ladeira - 1º.fev.2019/Folhapress

No mês passado, ao decidir que a votação secreta era a forma prevista no regimento até aquele momento, o presidente da corte, Dias Toffoli, afirmou também que a eleição no Legislativo era um assunto interna corporis, ou seja, que cabia aos senadores a definição de regras a respeito.

"O Supremo já falou que quem resolve o rito é o Senado. Na minha avaliação, o próprio presidente do STF já decidiu que quem resolve é o Senado."

Nesta sexta, o senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), único remanescente da antiga Mesa Diretora do Senado, avocou para si a presidência provisória da Casa e abriu votação sobre o regime das eleições.

Os senadores, então, definiram que a escolha do próximo presidente tem de se dar por voto explícito. Alcolumbre é provável candidato e esse desfecho favoreceria sua vitória, em detrimento de Renan Calheiros (MDB-AL), até a véspera considerado favorito na disputa.

O grupo pró-Renan protestou, levantando infrações ao regimento interno do Senado e acusando Alcolumbre de influenciar as regras da eleição em causa própria.

A manobra de Alcolumbre —aliado do ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM-RS)— foi articulada com o governo de Jair Bolsonaro.

Flávio Bolsonaro negou a atuação do Planalto nos bastidores. "O Senado é soberano, está tomando sua decisão, não tem interferência nenhuma. Cada senador vota como bem entender."

O senador era visto como um dos principais atores do processo de eleição no Senado, mas teve de se recolher após o escândalo sobre movimentações financeiras suspeitas de um assessor e dele próprio.

Participou apenas de negociações nos bastidores, estratégia para que o caso não contaminasse o debate na Casa. 

Na sessão ao fim interrompida, enquanto os colegas de seu partido e das demais legendas trocavam acusações, Flávio Bolsonaro passou quase todo o tempo sentado numa cadeira no plenário, mascando calmamente um chiclete. Ficou apenas de observador, enquanto os companheiros de bancada, a exemplo de Major Olímpio (PSL-SP), assumiam a tribuna para defender a legitimidade da manobra de Alcolumbre.

No início da tarde, em seu gabinete, Flávio Bolsonaro se reuniu com aliados, entre eles o suplente, Paulo Marinho (PSL-RJ). Nos corredores do Senado, dedicou-se a tirar selfies com simpatizantes e a dar explicações sobre a saúde do pai, que se recupera de uma cirurgia para restabelecer o pleno funcionamento do intestino.

No momento da posse, enquanto prometia cumprir a Constituição, ouvia-se no fundo do plenário gritos de "Queiroz", "Queiroz", puxados pela oposição, em referência a Fabrício Queiroz,  assessor de seu gabinete que movimentou R$ 1,2 milhão em um ano.

Fábio Fabrini, Ranier Bragon , Bernardo Caram , Daniel Carvalho e Thais Bilenky
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