Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Náuseas e vômitos de Bolsonaro foram provocados por paralisia no intestino

Diferentemente do que disseram os assessores da Presidência, não é uma 'reação normal'

Cláudia Collucci
São Paulo

As náuseas e os vômitos apresentados neste sábado (2) pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) ocorreram porque o intestino delgado dele parou de funcionar. Tecnicamente, a condição clínica é chamada de "íleo paralítico".

Quando o intestino delgado (íleo) para de contrair, acumula líquido no estômago. E o paciente sente náusea e ânsia de vômito.

Diferentemente do que disseram os assessores da Presidência, não é uma "reação normal e decorrente da retomada da função intestinal". Algo fez o intestino parar de funcionar.

O cirurgião Antonio Macedo, que operou Bolsonaro, disse à Folha que a condição é uma resposta do organismo a uma cirurgia longa e com muita manipulação.

Três cirurgiões especialistas em aparelho digestivo ouvidos pela reportagem afirmam que essa condição, chamada de íleo pós-operatório, em geral ocorre imediatamente após a operação e costuma durar até três dias.

Normalmente melhora conforme a inflamação do organismo diminui, e o intestino volta gradualmente a se contrair.

Segundo eles, os sintomas apresentados por Bolsonaro representam uma piora no estado clínico. Um deles diz que, no melhor cenário, não era para acontecer. No quinto dia após a cirurgia, afirma, o paciente deveria estar comendo por boca e evacuando.

Outras hipóteses explicariam a paralisação do intestino como fístula (abertura de algum ponto cirúrgico), infecção, efeitos colaterais de medicamentos (antibióticos ou remédios para dor) ou aderência precoce, ou seja, uma dobra no intestino.

A pior das hipóteses seria a fístula. Se ocorrer, há risco grande de ter que reoperar e refazer a bolsa de colostomia.

Mas, tanto no cenário de fístula ou de infecção, Bolsonaro apresentaria dores abdominais e febre.

Segundo boletim médico divulgado neste sábado, o presidente está "sem dor, afebril e exames laboratoriais normais". Ou seja, por ora, uma fístula ou infecção estaria descartada. Macedo também negou essas hipóteses.

A sonda nasogástrica colocada para retirar o líquido em excesso no estômago do presidente não trata a paralisação do intestino. Apenas alivia os sintomas de náusea e vômito.

Bolsonaro foi submetido à cirurgia de reconstrução do trânsito intestinal e retirada da bolsa de colostomia no dia 28 de janeiro, segunda-feira passada. Na ocasião, os médicos mudaram a técnica prevista inicialmente e tiveram que fazer um procedimento mais complexo do que era esperado.

Uma parte do intestino, a que estava ligada à bolsa que recolhia as fezes, foi retirada e descartada.

O processo durou sete horas. Foi a terceira operação pela qual ele passou desde que foi alvo de uma facada, em setembro de 2018, durante ato de campanha em Juiz de Fora (MG).

Por meio de rede social, o presidente compartilhou postagem do filho, Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) no qual ele afirma que o pai acordou bem e está animado.

" Hoje meu pai acordou bem e animado! Agradeço aos médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e todos os envolvidos em sua melhora! Pela manhã só notícias boas! Muito obrigado a todos pelas orações e carinho! Um forte abraço a todos e até mais tarde!"​

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