Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Porta-voz evita comentar acusações contra ministro do Turismo e saída de Bebianno

Rêgo Barros se recusou a responder sobre ex-candidata do PSL que responsabilizou Álvaro Antônio

Ricardo Della Coletta
Brasília

O porta-voz da Presidência da República, Otávio Santana do Rêgo Barros, se esquivou nesta terça-feira (19) de comentar as acusações de uma ex-candidata a deputada estadual pelo PSL que, em entrevista à Folha, disse que o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, sabia de um esquema de lavagem de dinheiro público patrocinado pela sigla em Minas Gerais.

Rêgo Barros também evitou falar sobre o caso Gustavo Bebianno após ser questionado por jornalistas sobre as conversas via WhatsApp entre o agora ex-ministro e o presidente Jair Bolsonaro (PSL) publicadas nesta terça pela revista Veja.

Até segunda-feira (18) titular da Secretaria-Geral, Bebianno foi demitido em meio à crise política causada pela revelação de um esquema de candidaturas laranjas do partido.

Quando foi perguntado ao porta-voz se as afirmações da ex-candidata de Minas aumentavam a pressão sobre Álvaro Antônio, que controlava o diretório do PSL no estado durante as eleições, ele disse que a questão deveria ser feita ao ministro do Turismo.

“Com relação à questão que toca o nosso ministro do Turismo, eu vos peço que encaminhem a pergunta à sua assessoria de imprensa”, afirmou Rêgo Barros.

Depois, após ser indagado se o presidente Bolsonaro havia conversado com Álvaro Antônio sobre o assunto, o porta-voz disse não saber se esse contato ocorreu.

Em entrevista à Folha publicada nesta terça-feira (19), a professora aposentada Cleuzenir Barbosa afirmou ter havido um esquema de lavagem de dinheiro pelo PSL em Minas Gerais. Ela foi candidata a deputada estadual nas eleições de outubro.

No caso da saída do ministro Gustavo Bebianno do governo, Rêgo Barros afirmou que Bolsonaro considera que “todas as informações” envolvendo a exoneração “foram devidamente esclarecidas” nesta segunda.

“O senhor presidente da República, sobre o assunto em pauta, considera que as informações foram devidamente esclarecidas no dia de ontem [segunda], por meio da divulgação de nota e vídeo distribuído aos órgãos de imprensa”, declarou o porta-voz, após ser questionado por jornalistas sobre as conversas via WhatsApp vazadas.

Após o anúncio da demissão de Bebianno, Bolsonaro divulgou um vídeo em tom apaziguador no qual confirmou a saída do seu ex-auxiliar do governo, agradecendo por sua colaboração.

Mais adiante, ao ser questionado novamente sobre os áudios, Rêgo Barros defendeu que é hora de “olhar para a frente” e mudou de assunto. “Eu entendo que hoje é um momento de vitória do governo com uma proposta da Previdência pronta para ser entregue ao nosso Congresso”, disse.

Ele citou ainda o projeto de endurecimento de penas e de combate à corrupção encaminhado nesta terça ao Congresso Nacional, uma das pautas prioritárias do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro.

“O futuro é promissor e isso que esperamos do nosso presidente, do Congresso Nacional e da nossa sociedade”, disse Rêgo Barros.

Ao oficializar a exoneração de Bebianno, o porta-voz falou nesta segunda que a decisão de Bolsonaro era de "foro íntimo". "O presidente agradece sua dedicação à frente da pasta e deseja sucesso na nova caminhada", afirmou.

A Folha tem publicado reportagens mostrando uso de dinheiro público do PSL em candidaturas de laranjas, com mulheres que tiveram votação inexpressiva e quase nenhum sinal efetivo de que tenham realizado campanha. 

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