Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Sem explicação prévia, exoneração de ministro causa saia-justa

Afastamento foi elogiado por deputada do PSL; para assessores, constrangimento poderia ser evitado

Gustavo Uribe Angela Boldrini
Brasília

A exoneração temporária do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, feita nesta quarta-feira (6) sem explicações prévias do Palácio do Planalto, causou uma saia justa no novo governo.

Nas primeiras horas da manhã, após a decisão ter sido publicada no Diário Oficial da União, assessores e auxiliares presidenciais não sabiam explicar se ele havia sido demitido definitivamente ou apenas para assumir mandato parlamentar.

O ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio
O ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio - Divulgação/ Presidência da República

Nas redes sociais, a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) chegou até a elogiar o presidente Jair Bolsonaro pela decisão. "É a atitude correta, inclusive para que o ex-ministro cuide de sua defesa sem que os trabalhos no ministério fiquem prejudicados", escreveu.

A iniciativa também foi comentada pelo candidato do PSOL à sucessão presidencial do ano passado, Guilherme Boulos. "Primeiro a cair no laranjal, ministro do Turismo foi exonerado hoje. Enquanto isso, Flávio Bolsonaro é indicado pelo PSL para a Mesa do Senado", escreveu.

Na última segunda-feira (4), a Folha revelou que o ministro patrocinou esquema de candidaturas laranjas que direcionou verba pública para empresas ligadas ao seu gabinete parlamentar. Diante da suspeita, o vice-presidente Hamilton Mourão defendeu a apuração da denúncia.

Procurado pela Folha após a exoneração ter causado repercussão nas redes sociais, o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, esclareceu que Marcelo Álvaro deixou o cargo apenas para assumir o mandato de deputado federal e que, ainda nesta semana, voltará à função ministerial.

Com o mal-entendido, o próprio ministro teve que ir às redes sociais negar ter sido afastado em definitivo do cargo. Ele disse à Folha que a sua exoneração, diante das atuais suspeitas, "foi uma infeliz coincidência" e negou todas as acusações.

Na opinião de assessores presidenciais, que preferiram manter anonimato, o novo governo deveria ter informado previamente o motivo da demissão, evitando que se criasse um constrangimento diante do momento delicado pelo qual atravessa o ministro.

Na semana passada, por exemplo, quando foram exonerados os ministros Onyx Lorenzoni (Casa Civil), Tereza Cristina (Agricultura) e Osmar Terra (Cidadania) para assumirem mandatos parlamentares, os afastamentos chegaram a ser informados previamente.

Além da saia justa, a iniciativa apresentou outra peculiaridade. O decreto foi assinado também pelo ministro da Justiça, Sergio Moro, o que não é comum em demissões ministeriais. A regra é de que, no caso de uma exoneração do primeiro escalão, cabe apenas ao presidente assiná-la.

Segundo a Folha apurou, o nome de Moro foi impresso não por uma decisão presidencial, mas por um erro de servidores da gráfica que o incluíram no Diário Oficial da União.

Para o líder do PSL na Câmara, Delegado Waldir (GO), não houve desconforto na bancada do partido. Segundo ele, no grupo de WhatsApp dos parlamentares, foram feitas apenas manifestações favoráveis ao ministro. 

"Quando eu vi de manhã eu já liguei para ele dizendo que tinha todo o meu apoio", afirmou Waldir, que disse, porém, não ter sido informado com antecedência de que a exoneração era apenas uma formalidade.

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