Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

'Passou a ter filtro da minha parte', diz Bolsonaro sobre declarações do filho Carlos

Em café da manhã com grupo de jornalistas, presidente afirmou que seus filhos não mandam no governo

Brasília e São Paulo | UOL

​O presidente Jair Bolsonaro (PSL) lamentou o episódio do vazamento de áudios de suas conversas com o então ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, demitido neste mês, e afirmou que seus filhos não mandam no governo.

As declarações foram dadas nesta quinta-feira (28) em café da manhã com um grupo de jornalistas no Palácio do Planalto em que o UOL esteve presente.

"Nenhum filho meu manda no governo, não existe isso", disse o presidente.

Bolsonaro afirmou que declarações públicas de seu filho Carlos Bolsonaro que possam ter relação com o governo agora passam por sua aprovação. "Tudo passou a ter um filtro da minha parte", disse.

"Lamento o ocorrido [com Bebianno], mas não poderia ter tomado outra decisão", afirmou Bolsonaro, ao ser questionado sobre como se sentia em relação ao agora ex-ministro. O presidente comparou o fim da relação com Bebianno ao fim de um casamento. "É quase um casamento que infelizmente prematuramente se desfez".

Logo após o café da manhã, ao comentar no Twitter a afirmação de Bolsonaro, Carlos reagiu e culpou a imprensa pelas declarações do pai.

"Como vocês [da imprensa] são baixos! Nenhum dos filhos mandam no governo mesmo e qualquer um que converse com o presidente o deve e tem de ser filtrado. Quanto a mira de vocês em mim. Eu e Jair Bolsonaro sabemos as intenções! Abraços de nós dois pra vocês!"

Em meio à crise dos candidatos laranja do PSL, revelados pela Folha, Carlos, que é vereador no Rio de Janeiro pelo partido, divulgou em seu perfil no Twitter gravação de seu pai dizendo que não havia conversado com Bebianno.

O episódio, que culminou na demissão de Bebianno, ampliou a crise no governo. O ex-ministro, que nega irregularidades, era o responsável pela liberação de verbas de campanha do partido durante a campanha.

Nesta quinta-feira, Bolsonaro também disse que não há mal-estar com a ala militar. Uma das possibilidades levantadas durante a crise era a de que os militares aliados de Bolsonaro teriam desaprovado a suposta influência de Carlos no governo. "Não há nenhum problema com os militares."

Hino Nacional x Internacional Socialista​

O presidente também disse que chamou o ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, para uma conversa após ele pedir às escolas que mandassem vídeos de alunos cantando o Hino Nacional e repetindo o slogan da campanha presidencial.

"Eu disse a ele [Vélez Rodríguez]: peça desculpas e desfaça".

Bolsonaro defendeu, porém, a importância de que alunos cantem o hino nas escolas e disse que isso é praticado em muitas nações. Afirmou que o processo deve ocorrer sem doutrinação e fiscalização.

Ele disse que Vélez poderia ter sugerido, por exemplo, que as escolas estimulassem mais a participação dos pais dos alunos no ambiente escolar.

Bolsonaro disse também que o ministro da Educação está investigando denúncia de que escolas ligadas ao MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra) estariam impondo a crianças cantar um hino da entidade e também a Internacional Socialista, mas não deu mais detalhes sobre o caso.

Aproximação com a imprensa

O café da manhã com jornalistas foi um gesto de aproximação com a imprensa solicitado por Bolsonaro, segundo seus assessores. Durante a conversa, o presidente ressaltou a importância da imprensa para o processo democrático.

Além de representantes do governo, segundo o Palácio do Planalto, participaram do encontro: Alexandre Garcia, Heraldo Pereira (Globo), João Beltrão (Record), Mauro Tagliaferri (Rede TV!), Sérgio Amaral (Band), Cláudio Humberto, Denis Rosenfield (colaborador do jornal O Estado de S. Paulo e professor de filosofia), Luis Kawaguti (UOL), Ana Dubeux (Correio Braziliense), Sônia Blota (Band) e Monica Gugliano (Valor). A Folha não foi convidada.

Bolsonaro disse que já deu "caneladas" e que a imprensa já cometeu erros, mas afirmou que tudo faz parte de um processo de amadurecimento necessário para o bem do país. Durante a campanha, Bolsonaro acusou veículos de imprensa de publicarem fake news.

Ele reforçou que seu governo não aceitará práticas da velha política de "toma lá dá cá" e não negociará ministérios.

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