Padre é preso sob suspeita de estuprar coroinhas no interior de SP

Suspenso pela igreja, Cláudio Cândido Rosa nega ter abusado dos menores

Rogério Pagnan
São Paulo

A Justiça de São Paulo determinou a prisão preventiva (por tempo indeterminado) do padre Cláudio Cândido Rosa, 43, sob a suspeita de ele ter estuprado dois coroinhas da paróquia pela qual era responsável, em Presidente Epitácio (a 645 km da capital paulista).

O religioso, que era considerado foragido, se entregou à polícia de Presidente Prudente na última quinta (28) e deve responder às acusações preso. O processo está sob segredo de Justiça.

Segundo a Polícia Civil, as vítimas dizem que tinham menos de 13 anos quando foram abusadas, a maioria das vezes dentro da casa paroquial (residência oficial do padre). Os crimes teriam ocorrido entre 2015 e 2017.

Ativistas fazem vigília pelo fim do abuso sexual cometido por padres católicos, em Roma - Yara Nardi/Reuters

O padre Sandro Rogério, da Diocese de Presidente Prudente, disse à Folha que um posicionamento oficial deve ser dado só na quarta (6). Ele afirmou, porém, ressalvando não falar em nome da diocese, que padre Cláudio tinha 12 anos na função sem histórico anterior de suspeitas.

Disse ainda que ele foi  temporariamente suspenso quando surgiram as suspeitas, no final de 2017.  A Folha não conseguiu contato com a defesa do padre Cláudio até a conclusão deste texto.

A investigações contra o padre começaram há pouco mais de um ano, quando um comerciante de Presidente Epitácio ouviu relato do próprio filho que diz ter sido abusado. Ele ouviu que um colega da criança também teria sido vítima, e ambas as famílias procuraram a polícia.

Na investigação, a polícia localizou com outro adolescente, também coroinha, uma foto do padre Cláudio nu, tirada dentro do quarto do religioso. A polícia fez busca e apreensão na casa paroquial e apreendeu um computador utilizado pelo padre. Segundo os investigadores, havia material pornográfico, mas adulto.

Após ser suspenso pela diocese, padre Cláudio estava vivendo em Uruaçu, em Goiás.

Ele chegou a ser ouvido durante a investigação por meio de carta precatória e negou ter abusado dos meninos.

Atos sexuais praticados com crianças são considerados pela legislação estupros de vulneráveis. Em janeiro deste ano, esse tipo de crime no estado subiu 10% em relação ao mesmo mês de 2018. Foram de 734 para 810 vítimas —mais de um caso por hora.

No final de fevereiro,  ao término de uma reunião histórica no Vaticano  sobre a luta contra a pedofilia, o papa Francisco afirmou que a Igreja Católica  se compromete a combater abusos sexuais de menores com "a máxima seriedade".

Francisco pediu uma “batalha total” contra um crime que ele chamou de abominável e que deve ser “apagado da face da terra”. Ao fim da missa na sala Regia do Palácio Apostólico do Vaticano, ele prometeu que as diretrizes usadas nas conferências nacionais de bispos para prevenir e punir abusadores serão revisadas e fortalecidas.

Durante a conferência, uma lista de 21 pontos de reflexão foi apresentada. A primeira delas diz que cada diocese deveria ter um manual prático com passos a serem tomados com o surgimento de casos. 

Eles incluem ações como informar autoridades civis caso haja acusações substanciais em conformidade com as leis locais e, ao mesmo tempo, tomar providências para que não cléricos estejam envolvidos nas investigações. 

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