Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Recebido por Bolsonaro, apóstolo diz que presidente vai à Marcha para Jesus

Líderes evangélicos estiveram no Planalto nesta quinta e chamaram Bolsonaro para evento em SP

Anna Virginia Balloussier
Rio de Janeiro

O presidente Jair Bolsonaro recebeu líderes evangélicos nesta quinta-feira (14), no Palácio do Planalto. Querem que ele seja o primeiro presidente a ir à Marcha para Jesus, o maior evento evangélico do Brasil.

E ele topou, segundo o apóstolo César Augusto, um dos presentes na reunião. "Mostra o carinho que ele tem, o respeito que ele tem aos evangélicos."

Do apóstolo Estevam Hernandes, o mesmo que a meses da eleição disse que Bolsonaro precisava pregar mais “amor e tolerância” se quisesse conquistar os evangélicos, ele ganhou uma camisa da Marcha para Jesus. O ato é organizado em São Paulo todo feriado de Corpus Christi, que neste ano será em 20 de junho, pela Renascer em Cristo, a igreja de Hernandes.

O apóstolo compartilhou em suas redes sociais uma foto com Bolsonaro vestindo o presente sobre sua camisa social. Também no retrato saíram o apóstolo César Augusto, da Igreja Apostólica Fonte da Vida, e o deputado Major Vitor Hugo, líder do governo na Câmara.

A legenda menciona o "momento de oração pela nação" que ofereceram ao presidente e diz: "Jesus resgatador, feliz a nação cujo Deus é o Senhor".

Eles também tentam convencer Bolsonaro a ir em outra Marcha, esta em Goiás, marcada para semanas antes. Essa resposta ele ficou devendo, segundo Augusto.
 

Resgatar o elo com o segmento é o que, segundo líderes ouvidos pela Folha, precisa fazer Bolsonaro —que se declara católico, mas tem filhos e esposa, a primeira-dama Michelle Bolsonaro, evangélicos.

Na terça (12), a coluna Painel, da Folha, informou que a bancada evangélica, um dos braços fortes dele na campanha presidencial, ensaia protesto público contra o inquilino do Planalto, que estaria se distanciando de compromissos firmados com os religiosos, na visão deles. O pano de fundo é a demissão de quadros ligados à frente religiosa sem prévia comunicação.

Também incomoda o sentimento de que estão sendo enrolados sobre uma demanda cara à bancada: a transferência da embaixada brasileira em Israel de Tel Aviv para Jerusalém, uma promessa eleitoral ainda não —cumprida e sem sinais concretos de que será algum dia.

Nem todos os membros da bancada concordam com um manifesto contra Bolsonaro, como cogitado por alguns. "Se houver será atitude isolada de algum parlamentar que está descontente. Como vice-líder do governo no Congresso, em reunião com o presidente, expus a falta de comunicação com a frente evangélica, e ele prontamente se dispôs a receber a bancada logo após a sua volta dos Estados Unidos", diz Marco Feliciano (PODE-SP).

A bancada também lida com fissuras internas. Não consegue chegar a um entendimento sobre quem será seu próximo presidente, algo inédito em sua história, como a Folha relatou na semana passada.

Feliciano, por exemplo, ameaça deixar o bloco evangélico se não houver um consenso. "Nunca na história do parlamento uma frente foi decidida no voto. Não há sentido. Uma frente é unida por propósitos. Será uma vergonha, a evangélica ser a primeira da Casa a ser decidida no voto!"

Veteranos do Congresso culpam a chegada de novatos pelo impasse. Calouro da Câmara, Cezinha de Madureira (PSD-SP), que representa a Assembleia de Deus—Ministério Madureira, estaria angariando apoio entre colegas e seria um dos responsáveis pelo entrave.

Outros cotados para capitanear o bloco cristão: Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ), que tem o pastor Silas Malafaia como cabo eleitoral, e Paulo Freire (PR-SP), filho do pastor José Wellington Bezerra da Costa, líder do Ministério Belém, o maior galho da Assembleia de Deus. ​

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