Veja 10 frases polêmicas de Bolsonaro sobre o golpe de 1964 e a ditadura militar

Presidente já se declarou favorável à tortura e insinuou que repressão deveria ter sido mais dura

São Paulo

Em meio à polêmica envolvendo a determinação de que os 55 anos do golpe militar de 1964 fossem comemorados, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) afirmou nesta terça (27), em entrevista à TV Bandeirantes, que não houve ditadura no país.

Esta não é a primeira defesa que Bolsonaro faz do regime ditatorial que comandou o país entre 1964 e 1985. Ele já fez homenagem a um notório torturador, disse que não houve golpe e insinuou que a repressão do Estado deveria ter sido mais dura.

Abaixo, veja 10 frases do presidente sobre o assunto. 

Negação da ditadura

"Temos de conhecer a verdade. Não quer dizer que foi uma maravilha, não foi uma maravilha regime nenhum. Qual casamento é uma maravilha? De vez em quando tem um probleminha, é coisa rara um casal não ter um problema, tá certo? [...] E onde você viu uma ditadura entregar pra oposição de forma pacífica o governo? Só no Brasil. Então, não houve ditadura."

Em entrevista ao Brasil Urgente, da TV Bandeirantes (nesta terça, 27 de março de 2019)

"Eu mostrei, e hoje em dia grande parte da população entende, que o período militar não foi ditadura, como a esquerda sempre pregou. (...) Por que tinha censura muitas vezes? De acordo com o articulista, a palavra-chave que estava naquela matéria era para executar um assalto a banco ou até mesmo executar uma autoridade em cativeiro. Essa foi a censura."

Em entrevista ao Jornal da Band, da TV Bandeirantes (29 de outubro de 2018)

"31 de março de 1964, Devemos, sim, comemorar esta data. Afinal de contas, foi um novo 7 de setembro [...] O Brasil merece os valores dos militares de 1964 a 1985."

Em vídeo publicado nas redes sociais (31 de março de 2016)

Tortura

"Sou capitão do Exército, conhecia e era amigo do coronel, sou amigo da viúva. (...) o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra recebeu a mais alta comenda do Exército, a Medalha do Pacificador, é um herói brasileiro."

Sobre o notório torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra, que chefiou o DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informações) do 2º Exército entre 1970 e 1974.  Segundo o relatório final da Comissão Nacional da Verdade, em sua gestão, a unidade militar foi responsável pela morte ou desaparecimento de ao menos 45 presos políticos.  Frase dita durante a sessão do Conselho de Ética que deveria votar a admissibilidade do processo de cassação por ele ter elogiado o coronel ao votar pelo impeachment de Dilma Rousseff [ "Pela memória do coronel Brilhante Ustra, o pavor de Dilma Rousseff" ] (8 de novembro de 2016)

"O erro da ditadura foi torturar e não matar."

Em entrevista à rádio Jovem Pan (8 de julho de 2016)

"Pau-de-arara funciona. Sou favorável à tortura, tu sabe disso. E o povo é favorável também."

Em entrevista ao programa "Câmera Aberta", na TV Bandeirantes (1999)

Golpe

“Não houve golpe militar em 1964 ​"

Durante entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura (30 de julho de 2018)

Araguaia

“Se tivessemos agido como a Colômbia, com humanismo, teríamos uma FARC no coração do Brasil e graças aos militares não temos”

Sobre a repressão à guerrilha do Araguaia. Entrevista à Rádio Super Notícia (10 de maio de 2018)

Assassinatos

“Errar, até na sua casa, todo mundo erra. Quem nunca deu um tapa no bumbum do filho e depois se arrependeu? Acontece."

Sobre documento em que o chefe da CIA afirma que o ex-presidente Ernesto Geisel (1974-1979) aprovou a continuidade de uma política de "execuções sumárias" de adversários da ditadura militar. Frase dita em entrevista à Rádio Super Notícia (10 de maio de 2018)

Vladimir Herzog

"Ninguém tem prova de nada (...) Suicídio acontece, pessoal pratica suicídio"

 Sobre o jornalista morto na ditadura, em entrevista ao programa "Mariana Godoy Entrevista", da RedeTV! (7 de julho de 2018)

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