65% dos brasileiros não se identificam com partidos, diz pesquisa Datafolha

Proporção é maior entre as mulheres e entre moradores da região Sul

Flávia Faria
São Paulo

Mais da metade dos brasileiros não tem nenhum partido de preferência, aponta o mais recente levantamento do Datafolha. Segundo a pesquisa, 65% dos entrevistados afirmaram não ter uma sigla com que se identifiquem. 

O levantamento é feito desde agosto de 1989, quando 62% dos cidadãos afirmaram não ter legenda. Na época, o Brasil era governado por José Sarney (MDB), primeiro presidente civil depois da ditadura militar. 

Trinta anos depois, a proporção dos que não se veem representados por uma sigla é maior entre as mulheres: 55%, ante 45% entre os homens. O fenômeno também é mais expressivo na região Sul, onde 71% não têm partido de preferência.

 

O Datafolha ouviu 2.086 pessoas nos dias 2 e 3 de abril em 130 municípios de todo o Brasil. A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.

Considerando a margem de erro, o resultado de 2019 é o mais alto desde dezembro de 2016, quando 75% dos brasileiros disseram não ter partido. 

A crise de representatividade se refletiu nas eleições passadas, em que foram eleitos deputados de 30 diferentes partidos, um recorde para a Câmara. Na última legislatura, eram 25.

Por outro lado, o PT continua a legenda mais popular entre os que declararam ter uma sigla de preferência, acumulando 14% das respostas. O índice, contudo, teve intensa queda desde o fim de outubro de 2018, quando o partido era o preferido de 25% dos entrevistados. 

Em segundo lugar vem o PSL (3%), empatado na margem de erro com PSDB (2%) e MDB (2%). O maior índice do partido do presidente Jair Bolsonaro (PSL) foi registrado em meados de outubro passado, quando obteve 7% das preferências.

Não à toa, a avaliação de Bolsonaro é maior entre os que se identificam com o PSL. Nesse caso, 81% avaliaram o governo como ótimo ou bom e 19% como regular. 

Na população em geral, Bolsonaro tem 32% de ótimo ou bom, 33% de regular e 30% de ruim ou péssimo, a pior aprovação para um presidente no início do primeiro mandato desde a redemocratização. 

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