Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Aprovação a Bolsonaro alcança 62% entre seus seguidores em rede social, diz Datafolha

Apoio, mostrado em pesquisa, sugere diálogo com quem já tem tendência a apoiá-lo

São Paulo

A avaliação do governo Jair Bolsonaro (PSL) apresenta forte oscilação entre as pessoas que seguem o presidente em redes sociais e as que utilizam esses serviços mas não o seguem, de acordo com pesquisa Datafolha.

Entre a população em geral, 32% dizem que o governo até agora é ótimo/bom, 33%, regular, e 30%, ruim/péssimo.

Quando foram pesquisados apenas os entrevistados que seguem o presidente em redes sociais (Twitter, Facebook e Instagram), a aprovação (ótimo/bom) dele salta para 62%. Entre os usuários das redes que não acompanham os perfis de Bolsonaro, a taxa de ótimo/bom é de 23%.

Jair Bolsonaro durante o Fórum de Davos (Suíça), em janeiro, em foto que foi publicada em rede social
Jair Bolsonaro durante o Fórum de Davos (Suíça), em janeiro, em foto que foi publicada em rede social - Reprodução Twitter Jair Bolsonaro

Os usuários de redes sociais, incluindo também o WhatsApp, somam 71% dos entrevistados e os que seguem Bolsonaro são 16% do total, de acordo com o instituto.

Desde a época da campanha, Bolsonaro aposta na estratégia de se comunicar diretamente com seus apoiadores e simpatizantes por meio das redes —gerenciadas por seu filho e vereador Carlos (PSC-RJ).

O presidente também costuma exaltar o papel das redes na comunicação política ao mesmo tempo em que critica notícias a seu respeito veiculadas na mídia profissional.

Em março, Bolsonaro passou a fazer uma transmissão semanal ao vivo no Facebook, em que se pronuncia com ministros e trata de assuntos diversos, de lombadas eletrônicas à importação de bananas.
O elevado apoio entre seus seguidores, no entanto, sugere um diálogo com quem já tem tendência a apoiá-lo, o que pode se tornar arriscado como tentativa de angariar ou manter popularidade.

Entre a população em geral, a nota média dada ao governo até agora é 5,4 —e sobe para 7 quando considerados apenas os seguidores do presidente. Os usuários de redes sociais que não o seguem dão nota média de 4,6.

A avaliação mais crítica dos não seguidores registrada na pesquisa também se repete em questionamentos sobre o preparo, a inteligência e a quantidade de trabalho desenvolvida pelo presidente nos primeiros meses no cargo.

Bolsonaro tem 10,8 milhões de seguidores no Facebook, 3,95 milhões no Twitter e 11,3 milhões no Instagram, números que ele ampliou desde a vitória na eleição de 2018.

Para o diretor-geral do Datafolha, Mauro Paulino, as manifestações nas redes socais ajudam a dar satisfação a um público com escolaridade mais alta que pode se tornar crítico se entender que o novo governo não mostra serviço.

“De fato, ele tem falado para convertidos nas redes sociais”, afirma Paulino.

Além de entrevistados com escolaridade de nível superior, há uma tendência de mais seguidores entre homens e jovens de 16 a 24 anos. No recorte regional, os índices sobem no Sul do país.

A aprovação de Bolsonaro entre usuários de redes no geral tende a ser parecida com a da população como um todo, ainda de acordo com a pesquisa. A taxa de ótimo/bom vai de 32% entre todos os entrevistados para 34% entre usuários desses serviços, que incluem os do WhatsApp —variação dentro da margem de erro.

O levantamento mostrou que uma faixa da população com tendência a apoiar mais o presidente utiliza pouco esses meios: os idosos com mais de 60 anos. Esse grupo representa 19% do total pesquisado, mas soma apenas 9% dos usuários das redes e aplicativos.

A pesquisa Datafolha foi produzida entre os dias 2 e 3 de abril e ouviu 2.086 entrevistados em todo o país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

IMPRENSA E REDES SOCIAIS

O instituto também questionou os entrevistados sobre a confiança que têm em notícias na imprensa profissional e nas redes sociais.

Disseram que são confiáveis todas as notícias na imprensa profissional 5% dos entrevistados. Outros 17% acham a maioria das notícias confiáveis — e 61% algumas das notícias.

Em relação às redes sociais, 2% responderam que todas as notícias são confiáveis, 8% disseram que a maioria é confiável e 63% afirmaram que algumas notícias são confiáveis.

Erramos: o texto foi alterado

Diferentemente do publicado em versão anterior deste texto, a pesquisa foi realizada em 2 e 3 de abril, e não de agosto. 

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