Ex-procurador-geral Rodrigo Janot se aposenta e passará a advogar

Responsável por acordos com Odebrecht e JBS, ficou no cargo de 2013 a 2017

Reynaldo Turollo Jr.
Brasília

O ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot se aposentou do Ministério Público Federal e deverá passar a advogar. A portaria que concedeu a aposentadoria foi assinada no dia 22 por sua sucessora na Procuradoria-Geral da República, Raquel Dodge, e foi publicada no Diário Oficial da União nesta quinta (25).

Segundo o texto, Janot se aposentou voluntariamente com proventos integrais. O ex-procurador-geral comandou a PGR por dois mandatos, de 2013 a 2017, indicado para o cargo pela ex-presidente Dilma Rousseff. Nas duas ocasiões ele foi o primeiro colocado na lista tríplice formada em eleição interna.

O ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot, que deixou o cargo em 2017
O ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot, que deixou o cargo em 2017 - Pedro Ladeira - 28.mar.17/Folhapress

À frente da instituição, Janot teve altos e baixos. Aumentou o número e o ritmo de investigações criminais, firmou vários acordos de delação premiada, incluindo o de executivos da Odebrecht e da JBS, e angariou apoio entre colegas, principalmente entre jovens procuradores, considerados combativos dentro do órgão, que ascenderam no Ministério Público Federal em sua gestão.

Por outro lado, deixou a PGR, em setembro de 2017, em meio a uma crise causada pelo escândalo da JBS, que abalou o governo do presidente Michel Temer e o mandato do então senador Aécio Neves (PSDB-MG).

Dias antes de entregar o cargo, Janot anunciou a rescisão da delação de Joesley Batista sob o argumento de que o empresário omitiu informações de má-fé, como o envolvimento de um ex-procurador da República, Marcello Miller, na elaboração do acordo. Ainda não há palavra final do Supremo Tribunal Federal sobre o caso.

Também em meio à delação da JBS Janot pediu a prisão de um membro de sua equipe, Ângelo Goulart Villela, que meses depois o acusou de ter corrido com a delação dos irmãos Batista com o objetivo de evitar que Temer indicasse Dodge, seu desafeto, para chefiar a PGR.

Após seu mandato de procurador-geral, Janot voltou a ser subprocurador-geral da República, nível máximo da carreira, e se dedicou a ministrar cursos e palestras. Passou uma temporada na Colômbia e se tornou um crítico contumaz, principalmente pelo Twitter, dos rumos que algumas investigações da Lava Jato tomaram.

Conforme a coluna Painel noticiou nesta quinta, Janot se prepara para advogar em ao menos um caso de repercussão. Ele deve assumir, ao lado de Márcio Elias Rosa, ex-secretário estadual de São Paulo, uma causa contra a Vale, pro bono (de graça), em benefício de moradores do distrito de Macacos (MG) afligidos pela mineração.

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