Militares desempenham papel de excelência no governo, diz Toffoli

Presidente do Supremo Tribunal Federal participou de debate na Brazil Conference, nos EUA

Patrícia Campos Mello
Boston

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Dias Toffoli, afirmou neste sábado (6) que os "militares vêm desempenhando um papel de excelência, muito significativo" no governo de Jair Bolsonaro.

Em debate da Brazil Conference, evento organizado por alunos da universidade de Harvard e do MIT (Massachusetts Institute of Technology), Toffoli refutou a ideia de uma intervenção militar.

"Não temos que temer uma solução militar, não haverá isso, os militares não querem, eles querem ajudar o país", disse o ministro, que participou do painel Justiça: O Papel do Supremo Tribunal Federal, ao lado da senadora Kátia Abreu (PDT-TO), moderado por Oscar Vilhena, diretor da Escola de Direito de São Paulo da Fundação Getulio Vargas.

Segundo Toffoli, o desgaste institucional gerado pela permanência dos militares por 20 anos no poder, durante a ditadura militar (1964-1985), resultou em uma visão hostil sobre eles. “E na verdade os militares são extremamente preparados, competentes, leais e hierárquicos.”

Em outubro do ano passado, ao falar sobre o golpe militar de 1964, Toffoli declarou que atualmente se referia ao período como "movimento".

Neste sábado, o presidente do Supremo afirmou que o atual ambiente de polarização no país não decorre da ascensão da direita no Brasil.

“A eleição de 2014 foi o ovo da serpente do ódio que hoje não podemos deixar entrar na sociedade; esse discurso do nós contra eles não veio da direita ou extrema direita, veio de 2014, dos dois grupos que chegaram ao segundo turno.”

A senadora Kátia Abreu afirmou ser frontalmente contra a criação da CPI da Lava Toga e que só assinou o requerimento porque não sabia que o texto apresentado mirava os Tribunais Superiores.

"Eu ainda não perdi o juízo, se abrirmos uma CPI geral e irrestrita em cima das cortes o que vai virar a democracia?”, indagou a senadora.

O Senado enterrou no último dia 26, pela segunda vez neste ano, a tentativa de criação de uma comissão parlamentar de inquérito com alvo nos magistrados.

“Se houvesse uma CPI da Lava Toga, não ia ter uma reforma votada, o Congresso ia ficar paralisado. Neste momento precisamos pacificar o relacionamento entre as instituições", disse Abreu.

Ela voltou a criticar o que vê como ativismo do STF ao legislar em áreas que, na visão dela, deveriam ser alvo de legislação pelo Congresso, e rebateu a ideia de que o STF legisla quando há omissão ou demora do Parlamento.

"Na Constituição tem o papel de cada um, não tem? Senão, se algum mandado de segurança demorar, a gente faz no Congresso?", questionou a senadora.

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