Ex-senador que falou em indicar até melancia ganha cargo na presidência da Casa

Hélio José (Pros-DF) agora é assistente parlamentar; em 2016, ganhou holofotes ao dizer que poderia nomear quem ele quisesse

Daniel Carvalho
Brasília

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), decidiu empregar em um posto no comando da Casa o ex-senador Hélio José (Pros-DF), que ficou conhecido ao dizer que poderia indicar até melancia para cargo de confiança.

A nomeação de Hélio José da Silva Lima como assistente parlamentar intermediário, lotado na presidência do Senado, foi publicada na edição desta segunda-feira (20) do Boletim Administrativo do Senado Federal.

De acordo com o quadro de estrutura remuneratória dos cargos comissionados da Casa, o salário base do posto que Hélio José foi alçado é de R$ 5.133,63, mas pode chegar a R$ 13.494,42, se somadas gratificações.

O então senador Hélio Jose, em 2015, com braço levantado, em audiência pública
O então senador Hélio Jose, em 2015, em audiência pública - Geraldo Magela - 12.dez.15/Agência Senado

Hélio José disputou em 2018 uma vaga de deputado federal, mas acabou derrotado.

Apesar de sem mandato, era visto circulando pelos corredores e pelo plenário do Senado.

Quando senador, chegou a ter mais de 90 funcionários em seu gabinete.

De acordo com as regras do Senado, cada gabinete parlamentar —e aí estão incluídos os escritórios de apoio nos estados— tem uma composição básica de 12 servidores comissionados. 

Os cargos de assessor parlamentar e de secretário parlamentar podem ser divididos em até 50 cargos com menor remuneração, desde que a soma dos salários brutos dos cargos fracionários seja menor ou igual ao salário bruto do cargo fracionado. O único cargo que não pode ser fracionado é o de motorista.

Em 2016, Hélio José ganhou os holofotes quando foi divulgada uma gravação em que ele dizia que poderia nomear até uma melancia.

"Isso aqui é nosso. Isso aqui eu ponho quem eu quiser, a melancia que eu quiser aqui, eu vou colocar", disse em um trecho da conversa em que defendia a indicação de um ex-assessor para o cargo de superintendente da Secretaria de Patrimônio da União (SPU) no Distrito Federal.

Folha questionou a presidência do Senado a respeito da nomeação de Hélio José, mas não obteve resposta até o momento.

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