Davi critica lentidão da Câmara e diz que Senado não pode ser 'carimbador' de MPs

Presidente do Senado disse ainda que 'não existe velha nem nova política, existe a boa política'

Paula Sperb
Porto Alegre

​O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), disse nesta sexta-feira (31) que o "Senado não pode ser apenas uma casa carimbadora".

Alcolumbre já havia demonstrado descontentamento com o prazo curto dado pela Câmara ao enviar as matérias sem tempo para apreciação adequada.

"O Senado não pode ser apenas uma casa carimbadora, que é o que acontece em muitos casos, especialmente em relação às medidas provisórias, quando uma matéria chega faltando 24 horas ou 48 horas para perder a validade", disse Alcolumbre ao ser questionado pela Folha sobre os envios de textos em cima da hora pela Câmara.

A declaração foi feita em Porto Alegre no evento "Novos Horizontes", promovido pela FIRS (Federação Israelita do RS) e o Lide-RS (Grupo de Líderes Empresariais), no Country Club. A federação destacou que Alcolumbre é o primeiro judeu a presidir o Senado.

De acordo com o presidente do Senado, será votado na próxima quarta-feira uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que tramita há nove anos, a PEC 70, que altera o procedimento para apreciação de medidas provisórias.

"Vai estabelecer um prazo, um rito, de 90 dias para a Câmara dos Deputados e 30 dias para o Senado. Isso é uma luta de décadas", disse.

Sobre a relação do Congresso com o Executivo, Alcolumbre disse Bolsonaro busca diálogo e o governo está se ajustando. Ele afirmou ainda que "não existe velha nem nova política, existe a boa política".

"Do meu ponto de vista como cidadão e presidente do Senado, o governo está começando. O governo vai se ajustar, está se ajustando. Quando o presidente procura o diálogo e entendimento direto com os Poderes, está fazendo um sinal de que quer conversar, quer dialogar, quer fazer política. Não existe velha nem nova política, existe a boa política e nós estamos procurando fazê-la", afirmou.

Alcolumbre disse que os protestos a favor do governo no último domingo, que pressionaram o chamado centrão, são legítimos e defendeu a reforma da Previdência.

Centrão

rótulo “centrão” para os deputados que, mesmo não sendo oposição, não integram a base governista está sendo “criminalizado pelos movimentos”, segundo Davi. 

“Esse tal centrão está sendo criminalizado pelos movimentos, eu acho uma injustiça. Porque vocês não podem rotular ninguém de centrão. Porque esse centrão que existe veio das urnas, eleitos pelo povo brasileiro também”, disse Alcolumbre.  

A manifestação do presidente do Legislativo foi em resposta a um questionamento após sua palestra. “Como que a gente faz para que esse centrão que representa essa política de acomodação de interesses não impeça o Brasil de avançar nas reformas?”, perguntou um convidado do evento.

“Eu acho muito pejorativo que a gente comece a nomear homens e mulheres de centrão, tentando rotular essas pessoas como se fossem pessoas que estão ameaçando ou chantageando o governo para aprovar as reformas. Honestamente? Vamos ser francos? A reforma precisa de 308 votos. São 513 deputados, 150 se manifestaram contra, 150 se manifestaram a favor. Onde estão os outros para apoiar a reforma? No tal centrão que estão criminalizando”, falou.

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